OS DONOS DA REPÚBLICA

Isentolândia, a cidade dos demônios

Cristian Derosa · 2 de Maio de 2020 às 15:37

Por trás das separações entre ideologia e técnica, opinião e verdade, fé e razão, está a sua fusão diabólica, raiz das mais sanguinárias ideologias: “Humanidade acima de todos, ninguém acima de mim”

À sua despedida, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), afirmou que, ao exonerá-lo, “Bolsonaro exonerou a ciência”. Também Sérgio Moro, no apagar das luzes de seu mandato, sentenciou triunfante: “Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos”. Amputando o slogan do governo das palavras Brasil e Deus, Moro, assim como Mandetta, atrai para si um poder que o Presidente havia atribuído a Deus. Devia ser absolutamente previsível que dois ministros escolhidos por critérios técnicos buscassem atrair para si a imagem da racionalidade superior à crença e superstição com as quais este governo vem sendo frequentemente associado.

Enquanto Mandetta representa a salvação pela ciência, trazida por interpretações modernas da República de Platão, como a de Karl Popper (autor cultuado desde o globalista George Soros até o isentão liberal Rodrigo Constantino), Moro, o juiz, representa o martelo da lei hobbesiana, fusão das Duas Cidades agostinianas. Mas enquanto Platão e Agostinho propunham o governo da verdade obtida com o exame que vai do interior para o exterior do homem, Thomas Hobbes sugere o governo do martelo, da lei que vem do contrato. Moro e Mandetta apostam na autoridade da razão humana.

Moro repete o velho chavão ateu de que não é preciso Deus ou religião para se fazer o correto, acrescentando que nem mesmo patriotismo é necessário, contra um governo que propõe depositar o destino da nação nas mãos de Deus. Coube a Mandetta evocar, dias depois da demissão, uma nova ordem mundial da saúde, proposta revolucionária que subentende a conversão da vida humana em dado técnico nas mãos de uma burocracia mundial.