CINEMA

Human Life – Quando a vida bate à porta

Paulo Briguet · 7 de Maio de 2022 às 18:11

Documentário pró-vida dirigido por Guto Brinholi e Luiz H. Marques estreia neste Dia das Mães, no canal BP Select, da Brasil Paralelo




Em 1997, aos 92 anos de idade, o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, autor do livro Em Busca de Sentido, um clássico do nosso tempo, sentiu-se mal e precisou ser hospitalizado. Antes da internação, ele fez apenas uma exigência aos médicos: que uma linha de telefone ficasse disponível ao lado de seu leito. Isso porque, mesmo enfermo, ele fazia questão de continuar atendendo às ligações de seus pacientes depressivos para ajudá-los no que fosse preciso. Até o fim da vida – ele morreria em 2 de setembro daquele ano ─, Dr. Frankl recebia em média dez cartas por dia de pessoas que diziam ter sido salvas graças à leitura de Em Busca de Sentido. Traduzido em 20 línguas e com milhões de exemplares vendidos, a mais famosa obra de Viktor Frankl relata o período de três anos em que ele esteve aprisionado em campos de concentração nazistas, sobrevivendo sob as condições mais terríveis que se possa imaginar. Frankl escreveu o livro em apenas nove dias, após ser libertado do campo e descobrir que o pai, a mãe, o irmão e a esposa haviam sido mortos pelos nazistas.

Pois foi justamente no Dr. Frankl que eu pensei quando assisti a essa beleza de filme chamado Human Life ─ A Vida Sempre Vale a Pena, que estreia neste domingo (5 de maio), na plataforma BP Select, da Brasil Paralelo. Dirigido por Guto Brinholi e Luiz Henrique Marques, o documentário de 2020 reúne personagens e histórias que, assim como o médico de Viena, nos fazem redobrar nossa confiança no dom da vida e nossa esperança na eternidade.

Eu definiria Human Life como um canto de amor à vida. E essa não é uma definição aleatória, tendo em vista que um dos diretores do filme – Guto Brinholi – é músico, compositor e regente. As cenas do documentário são organizadas como se seguissem uma partitura, em que as vozes e sons se harmonizam perfeitamente com as imagens. A cena em que uma família canta o fascinante Miserere de Allegri é a prova de que não estou fazendo uma analogia descabida.

Com uma sutileza quase miraculosa, Human Life abre as portas de lugares em que o amor fez morada: uma comunidade que abriga crianças deficientes e abandonadas, uma instituição que atende mulheres grávidas em dificuldades, a casa de uma cativante jovem com síndrome de Down. Ouvimos as histórias da medalhista olímpica que disse sim à vida, do surfista que perdeu as mãos em um acidente e ganhou um novo sentido para viver, do pintor tetraplégico que aprendeu a contemplar a beleza tantas vezes esquecida na realidade, da senhora que ajudou a salvar a vida de 22 mil crianças, do maior filósofo brasileiro, do economista que defende a correlação entre o aumento da natalidade e o desenvolvimento econômico – e até de uma mulher que, como Frankl, sobreviveu ao horror do pesadelo nazista para oferecer ao mundo um sorriso. Nunca me esquecerei – nunca – do sorriso no rosto do menino que sobreviveu a várias tentativas de aborto e nasceu sem cérebro, mas com uma alma e um coração que contrariaram todos os prognósticos clínicos. Também nunca, jamais me esquecerei da frase do pai de Ana Paula Henkel ao receber a notícia de que a filha estava grávida: “A vida bateu à porta da minha casa!”  

Dias atrás, o vazamento ilegal de um documento da Suprema Corte encheu-me de esperança: parece que a famigerada decisão do caso Roe vs. Wade, que liberou o aborto nos Estados Unidos, está com os dias contados. Assistir a Human Life fez aumentar a minha esperança de que esse holocausto silencioso que já dura 50 anos será encerrado, com a graça de Deus.

Deus, a propósito, é a presença silenciosa em todas as cenas de Human Life. Por isso, a Brasil Paralelo não poderia ter escolhido uma data melhor para a estreia do documentário: domingo, 8 de maio ─ Dia do Senhor, Dia das Mães, mês de Nossa Senhora. Amém.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo.

 


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