TERRA SANTA

Hamas lança um míssil a cada três minutos contra Israel

Ricardo Gancz · 16 de Maio de 2021 às 12:18

Ricardo Gancz, correspondente do BSM, traz em primeira mão as notícias sobre a situação em Israel e a Operação Guardião das Muralhas (dias 5 e 6)

Foguetes e mísseis continuam caindo em boa parte do país. O número chega perto dos 3000, o que significa em média um foguete ou míssil a cada 3 minutos ao longo dos 6 dias. Escolas e serviços públicos foram fechados em muitas cidades e muitos têm receio de sair de casa pois a qualquer momento pode soar a sirene e ser necessário sair correndo para um abrigo. Se a pessoa está no carro, a recomendação é que ela saia do veículo e procure um abrigo mais próximo.

No vídeo a seguir, filmado em Sderot, sul de Israel, podemos ver no vídeo as pessoas parando o carro e correndo para buscar abrigo. Vejam que o dono do carro branco para seu carro e sai correndo e o foguete caiu bastante próximo ao carro.
 


O que aconteceria se o foguete acertasse o carro? Em Ramat Gan, que fica ao lado de Tel Aviv, isso aconteceu e o motorista se salvou ao abandonar seu veículo.

 

 

A mesma sorte não teve Gershon Franco, também morador da mesma cidade. Ele tinha 55 anos e morava sozinho. Seu apartamento, por ser mais antigo, não possuía um cômodo reforçado e seu prédio não tinha um abrigo anti-bombas. De acordo com Ronen Shapira, chefe do Departamento de Recursos Humanos do corpo de bombeiros, o foguete do Hamas caiu no meio da rua e seus estilhaços se espalharam de forma muito violenta causando danos no lugar, incluindo o incêndio de um carro, como podemos ver na foto a seguir:

Após a explosão, os paramédicos da Magen David Adom (a cruz-vermelha israelense) foram de porta em porta dos prédios que tinham sofrido estragos para ver se haviam feridos. Ronen Cohen foi quem encontrou Gershon Franco, praticamente sem vida, embaixo do que sobrou de uma parede e de uma porta, onde provavelmente Gershon tentou se esconder. Tentamos fazer o máximo para reanima-lo, usando medidas de ressuscitação mas fomos obrigados a determinar a sua morte.

Ronen é o oitavo civil que morre. A eles, somam-se aproximadamente 500 que ficaram feridos.

 

Apoio da Áustria e Eslovênia

Em rara exceção frente ao que ocorre no resto da Europa, a Áustria mostrou solidariedade com os civis israelenses que estão no sexto dia de ininterruptos mísseis e foguetes. Após o ataque em Ramat Gan, uma diplomata da embaixada da Áustria – que fica perto da região atingida – escreveu no Twitter

Teve um impacto de foguete em Ramat Gan – perto da embaixada austríaca. Por sorte, estamos todos a salvo. Isso tem que parar imediatamente!

No dia anterior (14), a Áustria e a Eslovênia colocaram bandeiras de Israel em prédios oficiais em sinal de solidariedade com o estado judaico. O Chanceler austríaco Sebastian Kurz declarou condenar com extrema firmeza os ataques contra Israel vindos da Faixa de Gaza.

Tal ato fez que o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif cancelasse a visita marcada para encontrar com o Ministro das Relações Exteriores da Áustria, Alexander Schallenberg.

No Twitter, Abbas Araghchi, alto funcionário do ministério que está em Viena para discutir o acordo nuclear com a Europa escreveu no Twitter:

É chocante e doloroso ver a bandeira do regime de ocupação, que brutalmente assassinou dezenas de civis inocentes, incluindo muitas crianças em apenas alguns dias, nos prédios oficiais do governo em Viena. Nós estamos com a Palestina.

O Ministério das Relações Exteriores da Áustria Alexander Schallenberg respondeu

Se a organização terrorista Hamas mandou mais de 2000 foguetes para dentro de Israel, não ficaremos em silêncio. A segurança de Israel não está em discussão. Também, não faremos da nossa solidariedade com Israel e pronunciamentos públicos condicionais às visitas diplomáticas de outros países.

 

Número de terroristas mortos

O Ministério da Saúde do Hamas afirmou no final da manhã de hoje (16) que Israel matou 181 pessoas e dentre elas 52 eram crianças. Quando se trata do Hamas, a veracidade dos números é sempre questionável.

Até o momento, Israel está fazendo ataques com precisão cirúrgica, visando somente terroristas e evitando a população civil. Se o número de crianças for realmente esse, é sinal de que o Hamas está usando crianças como escudos-humanos. Não fazem isso para se proteger, mas sim para que as crianças morram e possam colocar na conta de Israel.

É um ato macabro que é perpetuado por toda a grande mídia que perpetua a narrativa e não denuncia a prática.

 

Hamas deixa Gaza parcialmente sem água e energia

Vale mencionar que as vezes os danos e mortes em Gaza vieram dos próprios foguetes do Hamas. Os foguetes do Hamas que caíram em Gaza foram responsáveis por destruir parte da infra-estrutura que provê eletricidade, deixando 230 mil moradores de Gaza sem luz.

A guerra com Israel também levou ao fechamento de uma das vias por onde chega combustível para Gaza, colocando em risco a capacidade do governo de Gaza de prover eletricidade para a própria população.

Se isso não bastasse, o Hamas intencionalmente desabilitou a usina de dessalinização de água e cortou o suprimento de 250 mil moradores. Quem não teve a água cortada, receberá apenas dia sim, dia não.

Isso não é novidade. Em 2018, um foguete do Hamas atingiu a própria estrutura que provê eletricidade, derrubando três torres e deixando milhares de moradores de Gaza sem luz. Não é que o Hamas não aprenda com os erros. Em 2018, eles puderam culpar Israel e agora não será diferente. Eles cortaram o suprimento de água e Israel será culpada pela falta de água em Gaza.

 

Os países árabes e a guerra

O secretário-geral do Fatah, Jibril Rajoub fez ontem (15) um apelo em rede nacional de televisão para que os líderes dos países árabes ofereçam apoio à guerra perpetrada pelo Hamas. Ele os acusou de estarem vendendo a própria dignidade e de estarem agindo junto com o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu.

Não apenas os países árabes ficaram em silêncio, mas o Hamas sofreu uma ameaça dos Emirados Árabes. Um oficial do país disse que

Nós queremos promover projetos de melhorias para a população civil de Gaza em cooperação com a Autoridade Palestina e sob a supervisão da ONU mas a calma é uma condição necessária.

Se o Hamas não se comprometer ao estabelecimento da calma de forma completa, estará condenando os residentes de Gaza a uma vida de sofrimento. Seus líderes devem entender que suas políticas estão acima de tudo fazendo mal para a população de Gaza.

Essa crítica reflete o que muitos países árabes pensam sobre o conflito. Ao longo de décadas, os países árabes do Oriente Médio injetam dinheiro na região somente para ver as famílias em volta das lideranças da Autoridade Palestina e de Gaza enriquecer enquanto o desenvolvimento da região é bastante limitado.

Além disso, uma parte significativa do dinheiro vai para financiar os terroristas e financiar conflitos que inevitavelmente trazem conseqüências para a região. Ato contínuo, quando o conflito termina, a Autoridade Palestina e o Hamas vão estender suas mãos para os outros países árabes para reparar os estragos causados por Israel.

A ausência de apoio dos países árabes se dá em parte pelo acordo com Israel mas também se dá por eles estarem de saco cheio. O esnobe público deixa isso bem claro. A diferença da política de Trump e de Biden é emblemática. As ações de Trump estão ainda influenciando a paz e a calma na região enquanto o dinheiro que Biden recentemente deu para o Hamas está caindo na população civil israelense sob forma de foguetes.

 

“Intransigência israelense”

O jornal Al-Araby Al-Jaheed é um jornal cuja base está em Londres, mas que é financiado pelo Qatar. Eles exemplificam com primor a dupla-moral quando se trata de judeus. Uma regra moral existe para o mundo inteiro e uma outra, diferenciada, é aplicada somente aos judeus.

O jornal relata que o Egito tentou intermediar com Israel um breve cessar fogo por questões humanitárias. O motivo seria para que as famílias dos terroristas pudessem retirar seus corpos de escombros e enterrá-los. Israel concordou e fez uma exigência: que o cessar-fogo fosse de fato um cessar-fogo. Isto é, que o Hamas também se comprometa a parar de lançar foguetes e mísseis durante esse tempo. O Hamas recusou.

O jornal, então, ficou revoltadíssimo com a intransigência israelense. Como escrevi na primeira parte de uma série de artigos em que analiso o que está por detrás da guerra, repito: o Hamas está ganhando essa guerra e o sinal é que essa “opinião” da mídia do Qatar virou a opinião da grande mídia.

 

Os últimos ataques de Israel

Os dias de ontem (15) e hoje (16) foram marcados por mais ataques pontuais, dessa vez, contra bases usadas para lançar os foguetes. Israel diz ter destruído dezenas de lugares que eram usados pelo Hamas como depósito e/ou lançamento de foguetes contra Israel.

Contudo, estima-se que o Hamas e a Jihad Islâmica tenham juntos mais de vinte mil mísseis e foguetes. No atual ritmo, isso significaria que os terroristas podem continuar atacando os civis com a mesma intensidade por mais de um mês.

Ainda é incerto qual foi o dano efetivo dos ataques até o momento pois Israel raramente detalha suas operações e as conseqüências delas. Uma exceção foi a admissão de terem atacado a casa do comandante do Hamas da Brigada Al-Qassam, Marwan Issa. Junto com a admissão veio também um vídeo postado pelo Twitter do exército que mostra um ataque contra Khalid Manamra, oficial do Hamas.

 

Enquanto os mísseis e foguetes continuam sendo disparados contra os civis e sirenes continuam tocando em boa parte do país, o gabinete de segurança se reuniu hoje e no início da tarde um porta-voz do governo disse que eles discutiram a estratégia relacionada ao conflito, mas não colocaram em questão nenhum cessar-fogo. Foi anunciado também que o comandante geral do exército Aviv Kohavi irá se reunir com os oficiais das cidades israelenses próximas da Faixa de Gaza para discutir a situação.
 

Terroristas tentam colocar fogo em cidades onde moram judeus

Já escrevi sobre casos em cidades grandes como Lod e Haifa. Nesta última, 59 pessoas foram parar no hospital por inalarem fumaça depois que terroristas colocaram fogo nos carros que estavam estacionados no prédio.

Mais de 60 focos de incêndio foram controlados nos últimos dias. Os terroristas aproveitam o clima seco e com vento e colocam fogo em lugares onde há muita vegetação com a intenção que o vento espalhe e carregue o fogo para dentro das cidades. É assustador ver a fumaça cada vez mais espessa e o calor cada vez mais forte se aproximando de suas casas.

A fumaça não é apenas um incômodo que deixa um rastro de sujeira por onde passa mas é um perigo real a saúde. Eu estava presente na pequena cidade de Avnei Hefetz quando um desses focos começou. Testemunhei e ajudei moradores a retirar botijões de gás que estavam próximos ao local do fogo, com medo do fogo se espalhar um pouco mais e causar explosões. Observei a chegada de bombeiros voluntários e posteriormente de um grupamento de bombeiros e outro do exército.

O fogo começou em uma vegetação que fica muito próxima a um grande número de pequenos prédios de quatro andares e estava se espalhando em direção aos prédios. Caso o fogo se espalhasse, por volta de 500 pessoas teriam que evacuar suas casas. Muitos foram obrigados a fechar completamente o imóvel devido a fumaça e saíram enquanto esperavam apreensivos o trabalho dos bombeiros. Felizmente, os bombeiros controlaram a situação antes que o fogo se espalhasse. Vejam o vídeo que fiz com exclusividade para o Brasil Sem Medo.

 

Em conversa com um dos bombeiros responsáveis pela operação, que pediu para que seu nome não fosse divulgado, ouvi o seguinte:

Desde que o Hamas começou a nos atacar, estamos trabalhando sem parar. Os terroristas esperam o vento para colocar fogo na intenção dele se espalhar e atingir as pessoas. Convocamos todos os voluntários para lidar com a situação, mas nem sempre conseguimos chegar com a velocidade que gostaríamos.

Temos que agradecer a Deus pois em muitas cidades são os próprios moradores que iniciam o trabalho de contenção das queimadas e isso ajuda muito o nosso trabalho.

Eu mencionei a ele que já foram mais de 60 focos de incêndios feitos por terroristas e ele riu

Isso aí é o que saiu oficialmente. O número real é muito maior, mas nem sempre entra nas estatísticas.

 

 

Base do Hamas é destruída e revolta a Grande Mídia

Um dos ataques mais relevantes feito pelo exército e certamente o que mais ganhou destaque durante esses últimos dias foi o de um prédio que o Hamas usava como centro de comando para o seu serviço de inteligência. O prédio também era ocupado pela Al-Jazeera e pela Associated Press (AP).

Veja o vídeo junto com as lamentações da Al-Jazeera aqui https://www.youtube.com/watch?v=bQjq802NX8g

Antes de destruir o prédio, Israel avisou a cada um dos ocupantes e garantiu que não haveria ninguém presente antes da destruição. Acredita-se que o Hamas escolheu o local por julgar que Israel não iria destruir um prédio ocupado por agências de notícia.

O tenente-coronel do exército, Yehonatan Conricus afirmou que “não havia nenhuma maneira de destruir somente os escritórios do Hamas que estavam no prédio. Eles ocupavam vários andares no prédio e seria impossível somente derrubar esses andares. Foi necessário derrubar todo o prédio”.

Tanto a Al-Jazeera como a AP, que é um distribuidor de notícias internacionais de quem as agências locais freqüentemente compram as notícias. É muita ingenuidade acreditar que ninguém sabia da presença do Hamas. Nenhum dos órgãos de mídia se mostrou espantado ou indignado com o Hamas em nenhum momento, mas sim, com Israel.

Tanto a Associated Press como a Al-Jazeera acusaram Israel de querer silenciar a mídia. O CEO da AP, Gary Pruitt, afirmou:

“Estamos chocados e horrorizados que os militares israelenses alvejaram e destruíram o prédio que abrigava o escritório da AP e outras organizações de notícias em Gaza. O mundo saberá menos sobre o que está acontecendo em Gaza devido ao que aconteceu hoje”.

A Al-Jazeera fez um pronunciamento similar:

“Al Jazeera condena nos termos mais fortes possíveis o bombardeio e destruição de seus escritórios pelos militares israelenses em Gaza e vê isso como um claro ato para impedir os jornalistas de cumprir o seu dever sagrado de informar o mundo e relatar o que está acontecendo. A Al Jazeera promete que irá buscar todos os meios disponíveis para fazer que o governo de Israel seja responsabilizado por suas ações”.  

Esse não é o único exemplo de como a grande mídia dá as mãos para o Hamas. Acompanhem o BSM, pois na série de artigos que estou escrevendo em paralelo aos relatos da guerra mostro como isso está acontecendo.

 


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