CRÔNICA

Gratidão a dois benfeitores

Fábio Gonçalves · 22 de Maio de 2020 às 19:12

Nós, brasileiros, queremos manter a fronte erguida dos que souberam agradecer aos bons

Cumpre ao cidadão de bem ser grato aos seus benfeitores. É aristotélico, é cristão, é lição das avós. Ao homem que nos faz um bem particular, diz a ética e a moral, além de estarmos sempre atentos a devolvê-lo a bondade, cabe-nos oferecer o quarto mais arejado da casa, e o nosso melhor churrasco, e o mais saboroso dos nossos vinhos, e as nossas intenções na reza.
 
Isso com o benfeitor particular.

Agora, àquele que deixa uma grande obra à nação, caso não desejemos ser todos lançados no mais escaldante poço dos infernos, devemos render hinos e louvores, e compor longos poemas épicos, e imortalizá-lo no teatro e no cinema, e devemos esculpir este homem no mármore pesado, em tamanho real, e cimentar a peça, incrustada de ouros e rubis, na mais frequentada das praças, de modo que a figura deste benemerente nacional chame a atenção de cada criança que vai nos ombros dos pais, e que um a um dos pequenos transeuntes olhe este herói com o mais sincero deslumbre, e que, entre sorrindo e chorando de emoção, revele:
 
“Papai, quero ser como ele, quero ser como o grande benfeitor”.

Não, brasileiros, se queremos manter a fronte erguida dos que souberam agradecer aos bons, não podemos prestar homenagens menores aos homens que sacramentaram a vitória inapelável do império conservador-bolsonarista. 

Povo de boa-fé, ajoelhemo-nos diante dos novos maiorais da pátria:

Muito obrigado, Sérgio Moro e Celso de Mello.