ESTADOS UNIDOS

Garota, eu NÃO vou pra Califórnia

Eduardo Meira · 3 de Setembro de 2022 às 17:17

O colapso social, econômico e energético do mais rico estado americano, outrora um lugar dos sonhos, hoje transformado em pesadelo pelas políticas socialistas

 

A outrora elegante e sonhada Califórnia vem sofrendo de uma doença que, infelizmente, tem ceifado sonhos, esperanças e vidas: o esquerdismo. O tão aclamado estado, berço da famosíssima ponte Golden Gate, em San Francisco, criador de emoções e paixões por meio de suas produções cinematográficas em Hollywood e fonte de inspiração para lindas canções como “California Dreamin’”, imortalizada pelo “The Mamas and the Papas” e, aqui no Brasil por Lulu Santos em “De repente, Califórnia”, vive um momento absolutamente delicado.


Colapso energético

O Estado da Califórnia finalmente conseguiu o que o movimento verde sonhou por décadas: a autoridade estadual da Califórnia conseguiu gerar 95% de sua energia total a partir de fontes inteiramente renováveis. Dizia-se que “não podia ser feito”, mas em poucos meses o governo Biden o fez. “Isso me dá calafrios na espinha. É incrível que estejamos causando um impacto real nas emissões de carbono do estado”, anunciou Elliot Minzer, que administra a maior rede elétrica da Califórnia.

Tucker Carlson, apresentador da Fox nos EUA, não parece tão entusiasmado. “Na verdade, há algumas ressalvas para essas conquistas aí. Para começar, abril não é o momento de testar a rede elétrica. É o mês mais temperado do ano, quando o consumo de eletricidade é mais baixo. Não se trata, também, de uma rede elétrica que cobre todo o estado. A rede de Elliot Minzer não fornece, por exemplo, energia para Los Angeles, que é, de longe, a maior cidade da Califórnia. E nem se trata de energia totalmente ‘renovável’, pois ainda se queima quantidades imensas de gás natural. Segundo os cientistas, o gás natural se qualifica como combustível fóssil e não é tecnicamente renovável. O tal ‘milagre da energia verde’, anunciado com tanta alegria, causou calafrios na espinha dos executivos do poder californiano. Porém, este evento que eles descreveram como incrível durou, pasmem, apenas quatro segundos! Quatro segundos de energia tecnicamente não renovável.”

A celebração escondia um fato inconveniente: apenas alguns meses antes, em meados de agosto, a rede de “energia verde” da Califórnia entrou em colapso. Meio milhão de moradores ficaram sem energia no meio de uma poderosa onda de calor. Eis que as operadoras de energia alertaram que “poderia piorar” e, de fato, piorou. Nos finais de tarde, quando os californianos chegam do trabalho em suas casas e querem ligar o ar-condicionado, fazer seu lanche e assistir seu jogo, o uso de energia é absurdamente maior, e milhares de megawatts são utilizados. Foi quando as operadoras entraram em pânico e perceberam que não haveria energia suficiente. Então, para contornar a catástrofe, o Estado implementou aquela velha estratégia de países de terceiro mundo: rodízios energéticos e apagões.

O prefeito de Los Angeles tuitou: “Apelamos para que nossos cidadãos desliguem os principais aparelhos, ajustem o ar-condicionado para 25 graus Celsius ou usem um ventilador, desliguem o excesso de luzes e desconectem os aparelhos que não estiverem em uso”. A verdade é que os californianos até o fizeram, mas não fez diferença. Blackout geral.

A história se repete. O fracasso do ESG no Sri Lanka e a dependência energética de parte da Europa para com a Rússia se dão num contexto em que a tão sonhada “energia limpa” fez com que governos desligassem suas usinas nucleares e de carvão. Na Califórnia, a usina nuclear de San Onofre foi fechada há uma década, após 40 anos de protestos de “ativistas verdes”. Cientistas estimam que o fechamento de San Onofre causou um aumento de 37 milhões de toneladas de emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Mas, ainda assim, o Estado anunciou planos para fechar a usina de San Luis Obispo, a Diablo Canyon. O resultado dessas medidas é que a Califórnia importa, no momento, um terço de sua energia de outros lugares, o que é embaraçoso para o estado mais rico dos EUA.

Nesta semana, o governador Gavin Newsom anunciou uma nova maneira de sobrecarregar a já colapsada rede de energia da Califórnia: proibir os motores a gasolina e forçar todos a dirigir veículos elétricos, aqueles que têm que ser ligados em tomadas... elétricas. O anúncio foi feito em tom de vitória, com a Califórnia sendo a primeira jurisdição no mundo a exigir que apenas carros elétricos sejam vendidos. O plano conta com a boa vontade dos bancos, que em breve não financiarão mais carros movidos a gasolina. Obviamente, a logística pessoal e o direito de ir e vir passam a ser ainda mais controlados por quem controla a rede de energia. Se estes decidirem desligar tudo, o cidadão ficará dependendo de velas, de pilhas, de cavalos ou de seus próprios pés. Assim como as gigantes farmacêuticas controlam a saúde e as Big Techs controlam o pensamento. É o estado fazendo o que sabe bem: controlar a vida do cidadão, eliminando seu poder de escolha. E, nesta nova e corrente modalidade de socialismo, o globalismo, o fazem para entregar na mão dos bilionários – que são realmente os que mandam nos governos. Seriam os próximos passos definirem que tipo de emprego o cidadão pode ter? Que tipo de comida o cidadão pode comer? Em qual presidente você pode votar? Sim, assustador... porque já é assim.


Colapso social

Apesar de a Califórnia ser o estado mais rico dos EUA – se fosse um país, seria a 5º economia do mundo – também é o Estado com maior problema de moradia. A maior população de sem-teto dos EUA encontra-se lá, assim como o maior número de regulações estatais. Conhecido pela sua preferência a governos de esquerda, o estado apresenta hoje os maiores conjuntos de impostos dos EUA, e a estimativa é de que mil pessoas morrerão nas ruas de Los Angeles por ano. Tudo isso, combinado com custo de vida extremamente alto, está forçando moradores e empresas a deixar o Estado, em números recordes. Californianos estão se mudando em massa para o Texas. Atualmente, o maior número de migrantes que escolhem o Texas vem justamente da Califórnia, e a outra parte de migrantes são, sem nenhuma novidade, de outros estados esquerdistas. A Califórnia e o Texas têm, ambos, grandes quantidades de recursos e muitos recursos naturais, sediam empresas gigantes e movimentam uma quantidade inimaginável de dinheiro. Mas essas semelhanças contrastam com suas diferentes políticas sociais.

Mais da metade dos californianos estão pensando em deixar o estado por culpa do alto custo de vida que é, em comparação, entre 40 e 50% maior que no Texas. Em Houston você pode comprar uma casa de 3 quartos com um grande quintal por 200mil dólares; na Califórnia, o mesmo imóvel não custaria menos que o dobro. O governo estadual e as prefeituras lançam mão de medidas para restringir o desenvolvimento de novas unidades habitacionais no mercado, e o fazem através de regulações às construções, controle de aluguel e um conjunto de outras políticas desastrosas.

Regulações ambientais também aumentaram bastante o custo de vida, tornando o valor da energia em média 50% mais alto que a média nacional. Quase a metade dos californianos sofrem de pobreza energética, ou seja, falta de acessos a serviços modernos de energia, em razão dos altos custos e da baixa renda familiar.

A esquerda gasta muito tempo e energia falando em desigualdade social e as maneiras de corrigi-la mas, ironicamente, a Califórnia, o grande experimento progressista, ocupa o 4º lugar na lista de estados com mais alto nível de desigualdade social, o 2º em que a desigualdade social mais cresce e o 1º em taxa de pobreza. Um em cada cinco californianos vivem abaixo da linha da pobreza. Um terço das pessoas em assistência social nos EUA estão na Califórnia, mesmo sendo que gastos em assistência social no estado sejam maiores do que os do Texas, Arizona, Dakota do Sul, Dakota do Norte, Colorado, Utah, Nevada, Oregon, Idaho, Havaí, Louisiana, Arkansas, Oklahoma, Kansas, Nebraska, Novo México e Montana somados.

A situação social nas ruas californianas evoluiu pra um estado de emergência. Embora os níveis de sem-teto estejam caindo em todo o país, a Califórnia, com 12% da população dos EUA, possui 49% dos sem-teto do país. Tal epidemia tem causado um aumento amargo nos números de viciados em drogas, de criminosos sexuais e da bandidagem em geral. Não obstante, as medidas que o governo esquerdista utiliza pra combater tais problemas são, acreditem, descriminalização furtos, liberação das drogas e fornecimento de seringas e outros dispositivos para os usuários. As lindas paisagens urbanas da Califórnia transformaram-se em fezes, seringas e mendicância. Desde San Diego até Sacramento e São Francisco, todas as cidades são impactadas.

Muito embora as grandes empresas como Facebook, Google e a indústria do cinema de Hollywood sejam a grande propaganda da Califórnia, quem realmente movimenta a economia do estado – respondendo por 98% da economia californiana – são as pequenas e médias empresas, aquelas com até 100 funcionários. No entanto, as políticas regulatórias de cunho socialista vêm sufocando esse mercado. Nos últimos 10 anos, mais de 15 mil empresas fugiram do estado e o ritmo não para de acelerar. O custo médio das regulamentações para as pequenas empresas na Califórnia é de quase US$ 135 mil por ano, e isso resultou na perda de 3,8 milhões de empregos, equivalente a 10% da população do estado.


Texit

Enquanto a Califórnia insiste em seu modelo socialista, o Texas é conhecido por ser um estado predominantemente conservador. Os políticos de direita ganharam as eleições por lá nos últimos 36 anos seguidos. O foco do Estado está na liberdade e na responsabilidade individual, que decorre da autodeterminação enraizada nos 10 anos em que o Texas foi uma República autônoma, logo após sua independência do México em 1836.

O Texas é o segundo estado mais rico dos EUA, com um PIB de 2 trilhões de dólares, e, se fosse um país, ocuparia a décima posição no mundo. Produzindo mais petróleo que Brasil e China juntos, o Estado possui autossuficiência energética. A prosperidade é tão grande que gigantes da Califórnia como HP, AMD e Xerox se mudaram pra lá. A fórmula é simples: liberalismo econômico, bons salários, baixos impostos e regulamentações e o amor por empregos. Para cada mil negócios em Austin, por exemplo, mais de 100 são empresas que estão nascendo. Das mais de 5 milhões de pessoas que deixaram a Califórnia nos últimos 10 anos, mais de 700 mil foram para o Texas. Com um custo de vida acessível e zero imposto sobre a renda, os texanos são, obviamente, avessos a governos e políticas de esquerda.

A ideia de voltar a ser um país soberano tem tomado força com o aumento do radicalismo da esquerda americana. O Texas, mesmo dando exemplo ao mundo do poder do liberalismo econômico, envia 160 bilhões de dólares ao governo central por meio de impostos e é um dos menores beneficiários de transferências do governo federal, sendo o sétimo estado que menos recebe em relação ao que paga.

Outros fatores que impulsionam a insatisfação no Texas estão relacionados ao porte de armas (mais de um milhão no estado), à irredutibilidade dos texanos sobre o aborto (são radicalmente contra), à ideologia de gênero, ao ambientalismo radical e a várias outras políticas absurdas que vêm ganhando espaço na realidade americana.

Neste contexto, os republicanos pressionam para a realização de um referendo em 2023, que determinará se o Texas deve ou não se tornar independente dos EUA. Esse movimento separatista ficou conhecido como “Texit”, em referência à saída da Inglaterra da União Européia, o “Brexit”.

As questões legais para uma eventual independência do Texas são complexas e discutíveis. Num próximo artigo aqui no BSM, discorreremos sobre os detalhes. O importante, neste artigo, é frisar a diferença entre dois estados-países muito ricos e suas discrepâncias ao adotar políticas de esquerda vs. políticas de direita.

 


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