ANÁLISE

Felipe Neto e Bolsonaro juntos!

Redação BSM · 23 de Setembro de 2020 às 12:51

A cobertura na extrema-imprensa não poderia ser diferente. Com o youtuber na lista, todas as manchetes foram inundadas com a novidade e, propositalmente, deixaram Jair Bolsonaro de lado. O fato serve, unicamente, para sustentar uma narrativa falsa.

 

A revista Time divulgou hoje a sua tradicional lista das '100 pessoas mais influentes do mundo' e Jair Bolsonaro e Felipe Neto aparecem juntos na publicação. É a primeira vez que o youtuber e garoto-propaganda de Rodrigo Maia (DEM) aparece na publicação; Bolsonaro já esteve na lista em 2019.

Presente na categoria ´Líderes', Bolsonaro aparece na revista citado pelas mortes causadas pela Covid-19, pela "pior recessão econômica em 40 anos", os incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal e pelo expressivo... apoio popular! Dan Stewart, o editor internacional responsável pelo perfil de Bolsonaro, afirmou que o apoio popular é mantido graças ao auxílio emergencial e aos "seguidores fervorosos" do Presidente.

Já Felipe Neto aparece na categoria 'Ícones' e teve seu perfil escrito pelo deputado federal David Miranda (PSOL). Em seu texto Miranda destaca a origem humilde do youtuber que tem mais de 50 milhões de seguidores somadas suas plataformas no Youtube e Instagram. Para Miranda, o sucesso do influenciador alcançou um "público jovem enorme e leal" e desde 2018 Felipe Neto é um dos "oponentes mais eficazes de Jair Bolsonaro”.

A reação do youtuber em suas redes sociais não demorou. 

Quem são os 3 troços de Felipe Neto?

Em seu tweet Felipe Neto faz questão de citar os ex-presidentes Lula e Dilma, ele condenado e ela impichada, Jorge P. Lemann, bilionário suíco-brasileiro, os esportistas Gabriel Medina e Neymar, a ex-presidente da Petrobrás, Graça Foster, investigada por corrupção e Joaquim Barbosa, presidente do STF durante o julgamento do Mensalão.

Ironicamente o youtuber se refere a "3 troços" e fomos averiguar. Publicada desde 2004 a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo já contou com Jair Bolsonaro, que seria o troço número 1, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, presumivelmente o troço número 2 e a cientista Celina Turchi, médica e especialista em doenças infecciosas que teve papel importante na descoberta da relação entre a microcefalia e o vírus da zika. Seria a infectologista o troço número 3?

A cobertura na extrema-imprensa não poderia ser diferente. Com o youtuber na lista, todas as manchetes foram inundadas com a novidade e, propositalmente, deixaram Jair Bolsonaro de lado.

Na coluna Splash, do UOL, o espaço é todo dele: "dei tudo que podia dar"

A cobertura feita pelo UOL não deixa dúvidas: a imprensa noticia os fatos como quer e quando quer. Basta acessar o portal jovem e descolado para se deparar com a manchete: o destaque é todo de Felipe Neto, o youtuber da Time. No corpo da matéria são pelo menos 4 páginas inteiras com fotos de Felipe Neto e declarações do youtuber em caixa alta: "dei tudo que podia dar e fiz tudo o que poderia fazer para contribuir na luta pela democracia, contra o fascismo e a favor da ciência".

Sem partido e sem espaço: Bolsonaro é citado no último segundo

O último parágrafo é este acima, um primor. Apesar da dobradinha 2019-2020, Jair Bolsonaro aparece ao fim do texto, sem qualquer destaque no corpo da matéria ou qualquer imagem ou frase, como concedido ao youtuber. A prática não é incomum na grande mídia, que já se acostumou a confiar na preguiça do leitor ou no puro e simples fingimento. 

Mas as coisas não param por aí.

 

Também em O Globo o ´ex-KGB' Ancelmo Gois manipula seus leitores

Na redação de O Globo a reação não foi diferente e a tentativa de esconder Jair Bolsonaro do público fica clara nas mãos de Ancelmo Gois, formado em marxismo-leninismo pela Escola de Formação de Jovens Quadros, Komsomol, do Partido Comunista da extinta União Soviética. 

No texto publicado em seu blog em O Globo, não são poupados elogios ao youtuber e a sua atuação pública. Os votos de parabéns e felicidades só são interrompidos para a menção rápida a Jair Bolsonaro e a retomada das velhas acusações: a "máquina de ódio e fake news" dos seguidores do Presidente da República que supostamente persegue Felipe.

Apoiador do Sleeping Giants, Felipe Neto diz que é preciso lutar contra o "silenciamento".

O blog de Ancelmo Gois presta um duplo serviço: enquanto enaltece as supostas virtudes do jovem que "já errou" mas que considera importante "aprender e evoluir", ataca Jair Bolsonaro e tenta emplacar, pela repetição ad nauseam, a narrativa do "Gabinete do Ódio" bolsonarista.

É a velha e batida máxima leninista: acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é. Felipe Neto é um dos famosos que apoia o movimento anônimo, e hipócrita, Sleeping Giants, uma patrulha digital de esquerda que busca silenciar a mídia conservadora através da intimidação de anunciantes e patrocinadores. Na prática, Felipe Neto quer calar os conservadores, mas no blog de O Globo ele aparece como uma vítima da perseguição, alguém que combate o "silenciamento".

Não é difícil de entender: a presença de Felipe Neto na lista da Time é um fato que pode ser noticiado para sustentar uma falsa narrativa. É essa a real importância dos fatos na grande mídia: dar sustentação e enviesar o interesse escuso de algum redator, político, partido ou movimento.


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