DIÁRIO DE UM CRONISTA

Fátima e o milagre da liberdade

Paulo Briguet · 13 de Maio de 2022 às 15:38

As aparições de Nossa Senhora de Fátima marcaram o início do totalitarismo, mas também trouxeram uma mensagem de esperança

“Não há um milagre de Fátima, mas uma sucessão incrível de milagres.”
(Olavo de Carvalho, aula 41 do COF)

 



Durante muito tempo em minha vida, o ano de 1917 me parecia ser o mais importante da nossa época. Eu chegava a dividir os fatos históricos entre antes e depois de 1917. Daquela data em diante, pensava eu, a humanidade nunca mais seria a mesma. Tudo porque um grupo de ativistas políticos deu um golpe de estado e decidiu fundar o primeiro Estado socialista da história. Minha admiração pela Revolução Russa e pelos líderes bolcheviques era absoluta e incondicional. Por muitos anos, eu acreditei nessa mentira.

No entanto, eu estava certo – ao menos em parte. De fato, 1917 é o ano mais importante da nossa época, mas por um motivo bem diferente daquele que eu imaginava. No dia 13 de maio daquele ano, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima: Lúcia, Jacinta e Francisco. O grande milagre aconteceu na Cova da Iria, não no Palácio de Inverno. Minha vida realmente começou a mudar quando, aos 29 anos de idade, eu passei a entender que a visão de Fátima era muito mais importante que a cegueira de São Petersburgo.

Entre os vários fatos desconcertantes sobre Fátima, está a menção de Nossa Senhora à Rússia, na aparição de julho, portanto meses antes do golpe de Lênin e seus comparsas. Aquelas crianças de uma pequena aldeia portuguesa não faziam ideia do que fosse a Rússia – Lúcia pensou que a Virgem se referia a uma mulher malvada que morava no povoado vizinho. No entanto, Nossa Senhora pediu que aquele país fosse consagrado ao seu Imaculado Coração, caso contrário “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo”.

Note-se que Maria não fala em comunismo ou revolução. Ela fala sobre erros – e erros que acabariam atingindo várias partes do planeta. Foi exatamente o que aconteceu. Em 1917, iniciava-se o tempo das carnificinas em massa pelos regimes totalitários. Sempre que o mundo está vivendo uma época de angústia e desespero, Nossa Senhora aparece e aponta para o caminho, a verdade e a vida: Jesus Cristo. Ele é a única proteção contra os coletivismos insanos que flagelam o nosso tempo, e que se iniciaram com a Revolução Russa. Você acha coincidência que Klaus Schwab, o líder da Nova Ordem Mundial, tenha um busto de Lênin em seu gabinete? Surpreendeu-se com os símbolos soviéticos usados pelas tropas de Putin na Ucrânia?

Pouca gente sabe que, à época das aparições, Portugal era governado por um partido maçônico e anticristão, que ordenou até mesmo a prisão das crianças videntes por alguns dias. Hoje, cem anos depois, Comunidade Europeia é governada por burocratas ferrenhamente hostis ao Cristianismo, enquanto a Igreja Ortodoxa Russa é controlada pela mão de ferro antiga KGB. E os erros da Rússia se espalham pelo mundo, das mais variadas maneiras.

A primeira coisa que Nossa Senhora ofereceu aos pastorinhos de Fátima, vale lembrar, foi uma visão do inferno. As recentes imagens da destruição na Ucrânia e da distopia em Shanghai não parecem antecipações do reino infernal? De 1917, a humanidade teve inúmeras imagens semelhantes: as guerras mundiais, o Grande Expurgo, o Holocausto, o Holodomor, as bombas atômicas, o Grande Salto para a Frente, o Khmer Vermelho, a Política do Filho Único, os imolados de Roe vs. Wade. Sem que esquecer a imagem do papa João Paulo II, baleado em 13 de maio de 1981, na mesma data e no mesmo horário da primeira aparição em Fátima.

Poucos se lembram também do que viria logo após Fátima: a devastadora pandemia da gripe espanhola, cujo número de vítimas ainda é objeto de controvérsia, mas que certamente matou mais do que o vírus chinês. Os pastorinhos Jacinta e Francisco morreriam desse mal pouco depois – conforme previra a Virgem. Nos relatos sobre Fátima, encontramos descrições de aldeias inteiras em que todas as casas haviam sido atingidas pela gripe.

Entre as maiores vítimas da Revolução Russa de 1917 estava a liberdade. A mesma liberdade que é hoje é perseguida pelos herdeiros do espírito coletivista. Veja-se o caso do Cardeal Zen, um homem idoso e santo, preso pelos comunistas por ajudar um movimento que luta por democracia em Hong Kong. Veja-se o caso do Supremo Tribunal Socialista brasileiro, que se especializou em libertar bandidos e perseguir inocentes. Veja-se o caso da escola católica de Minas, processada por alertar aos pais de alunos para os perigos de uma ideologia perversa. Tudo se encaixa no mesmo padrão: a liberdade de pensamento e expressão, concedida aos homens por Deus, é vista como um crime. O livre-arbítrio, dom de Deus, tem de se submeter à sociedade política, inventada pelos filhos de Caim.

Diante desse cenário, muitas vezes nos sentimos cansados e pessimistas. Mas então é preciso lembrar a promessa de Nossa Senhora aos pastorinhos:

– Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará.

Acreditemos no milagre da liberdade.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

 


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