EXÉRCITOS

EUA x China: cartas na mesa

Eduardo Meira · 21 de Outubro de 2020 às 15:41

Qual das duas potências militares sairia vencedora em um evento conflito armado? O colunista Eduardo Meira faz uma comparação entre o poderio bélico dos norte-americanos e chineses

Em artigo anterior, fizemos uma exposição bem rápida, dadas as informações disponíveis do poderio militar chinês. No atual cenário de guerra comercial China versus EUA, no qual as provocações são incessantes e a sanha de intervenções bélicas cada vez mais evidente, a grande dúvida que paira é: estamos próximos de assistir a um confronto militar entre Estados Unidos e China?  Se isso acontecer, é possível apontar um vencedor?

Esta, de fato, é uma pergunta complexa. Na verdade, quase impossível de responder. Não houve nenhum conflito armado entre grandes potências nucleares após o advento desses artefatos. Confrontos diretos entre esses atores são a última alternativa no tabuleiro geopolítico. Muito antes de avaliar a alternativa de confronto direto, essas nações lançam mão de infindáveis outros recursos, entre eles as guerras comerciais, as guerras assimétricas, os bloqueios econômicos, a guerra eletrônica, espionagem de diversos calibres, sabotagens, boicotes, sanções e manipulações de infinitas formas, como, por exemplo, a de uma pandemia viral ― o Covid-19, que veio da China, ceifou centenas de milhares de vidas e arrasou as economias dos países ocidentais. Desses, o expediente mais em evidência atualmente é a guerra comercial, em pleno vigor entre os dois países.

A chamada “guerra terceirizada” (ou proxy war) também é um método amplamente utilizado. Este é o tipo de guerra em que os países se confrontam através de outros países ou regiões, nos quais têm investimentos, equipamentos e até bases militares. Um exemplo atual é a guerra no território de Nagorno-Karabakh, onde a Armênia que é apoiada pela Rússia e utiliza majoritariamente equipamentos militares russos, encontra-se em conflito com o Azerbaijão, que tem apoio turco. Por outro lado, Estados Unidos e China têm uma interdependência estratégica de relevante importância, seja nos campos tecnológicos, industriais, alimentares, financeiros, de infraestrutura, de mão de obra, turismo, etc. Resumindo:  os dois países são quase siameses. Em consequência, um confronto militar direto representaria prejuízos irreparáveis para ambos os lados...