SAÚDE

Estudo de Harvard comprova a eficácia da hidroxicloroquina para tratamento precoce contra covid-19

Vinicius Sales · 11 de Agosto de 2022 às 13:20

Pesquisadores analisaram estudos "Padrão Ouro" e concluíram que o medicamento ajuda reduzir em 28% o risco para covid-19; estudo também mostra que campanha feita pela imprensa atrapalhou a formulação de novas pesquisas 

Um estudo publicado por pesquisadores de Harvard nesta terça-feira (9) concluiu que a hidroxicloroquina (HCQ) é eficaz no tratamento profilático contra a covid-19. O documento foi publicado na Revista Europeia de Epidemiologia e atende aos “Padrão Ouro” das pesquisas.

Leia o estudo aqui.

A pesquisa liderada pelo cientista Xabier Garcia-De-Albeniz, líder do estudo e pesquisador Associado do Departamento de Epidemiologia da Universidade, concluiu que o medicamento é eficaz na fase pré-exposição ao vírus.

Também participaram da pesquisa o Dr. Miguel Hernan, Membro do Corpo Docente em epidemiologia e bioestatística da Harvard-MIT Division of Health Sciences & Technology; a Dra. Julia del Amo e a Dra. Rosa Polo, do Ministério da Saúde da Espanha; e o Dr. José Miguel Morales, da Universidade de Málaga (Espanha)

O levantamento feito pelo grupo de pesquisadores analisou 11 estudos que foram classificados como Padrão Ouro das pesquisas, ou seja, foram randomizados e controlados. A conclusão dessa meta-análise foi que pacientes que foram tratados previamente com HCQ tiveram uma redução de 28% no risco para covid-19.

“Em estudos randomizados, controlados por placebo, duplo cego, em profilaxia pré-exposição, pessoas designadas para o uso de hidroxicloroquina tiveram 28% menos risco de covid-19”, afirmou Hernan.

A meta-análise aferiu 7 estudos de profilaxia pré-exposição, quando o paciente toma a medicação antes de ter contato com o coronavírus, e 4 estudos de profilaxia pós-exposição, quando o paciente toma o medicamento após ter contato com alguém infectado.


Campanha midiática atrapalhou estudos

Apesar do resultado positivo para a profilaxia preventiva contra o coronavírus, o estudo não encontrou evidências para o tratamento pós-infecção.

Por outro lado, os pesquisadores também afirmam que a interpretação dos primeiros estudos de HCQ como “conclusivos” atrapalhou a produção de novos levantamentos sobre a eficácia do medicamento.

“Uma interpretação incorreta dos primeiros estudos inconclusivos interferiu no recrutamento para estudos adicionais. Embora a disponibilidade de vacinas eficazes contra a covid-19 reduza a necessidade de profilaxia farmacológica, é importante melhorar o processo pelo qual a comunidade médica gera e interpreta evidências antes que a próxima emergência de saúde pública chegue”, disseram os pesquisadores.

E acrescentaram: “O benefício da HCQ em uso profilático contra a covid-19 não pode ser descartado com base nas evidências disponíveis de estudos randomizados. No entanto, os resultados 'não estatisticamente significativos' dos primeiros ensaios de profilaxia foram amplamente interpretados como evidência definitiva da falta de eficácia da HCQ. Essa interpretação interrompeu a conclusão oportuna dos ensaios restantes e, portanto, a geração de estimativas precisas para o gerenciamento da pandemia antes do desenvolvimento de vacinas.”

Como resultado da campanha orquestrada pela imprensa e por parte da comunidade científica, os estudos se tornaram incompletos e não refletiram o verdadeiro potencial da HCQ contra o coronavírus. Ou seja, é possível concluir que muitas vidas teriam sido salvas em todo o mundo se o uso da HCQ como profilaxia tivesse sido estimulado.

“As preocupações sobre os efeitos potencialmente deletérios do tratamento com HCQ e as contraindicações feitas nos meios de comunicação podem também ter afetado a conclusão antecipada dos ensaios de profilaxia”, disseram.

Os pesquisadores também criticam os métodos utilizados nesses primeiros estudos, alegando que muitos deles levaram muito tempo para medicar os pacientes já infectados com covid.

“O tempo desde a exposição até ao início da profilaxia foi relativamente longo: num ensaio, cerca de um terço dos participantes foram inscritos 4 dias após a exposição”, afirmaram.

Eles compararam com os estudos de medicamentos para prevenção do HIV. “Para comparação, recomenda-se a profilaxia pós-exposição para o HIV nas primeiras 6-72 h após a exposição”.

 


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