ERRATA

Errata sobre o encontro entre Biden e Francisco

Bernardo Küster · 16 de Junho de 2021 às 10:50

O BSM deu a informação baseado na reportagem da CNA e, após a negativa da Casa Branca, optou por retirar a matéria. Nosso compromisso é com fatos

Ontem, 15 de junho, a Agência Católica de Notícias (CNA) publicou em primeira mão a informação de que o presidente americano Joe Biden, antes de iniciar sua viagem à Europa para as reuniões do G7, teria solicitado ao papa Francisco uma audiência e este teria rejeitado o encontro. A visita do mandatário americano contaria também com a presença de Biden numa missa celebrada pelo pontífice. A Casa Branca, no entanto, disse ao jornal The Washington Times que “isto não seria verdade” (that’s untrue, foi a expressão utilizada) e não poderia ser confirmado.

O BSM deu a informação baseado na reportagem da CNA e, após a negativa da Casa Branca, optou por retirar a matéria para não induzir nossos leitores ao erro. Nosso compromisso é com os fatos.

Nossa fonte em Roma, todavia, refinou a apuração. É verdade que havia intenção tanto da Santa Sé quanto do governo americano de promover o encontro entre os dois chefes de estado, que aproveitaria a primeira a ida de Biden à Europa. Biden é católico. Nada mais adequado politicamente para ele do que prestar cortesias e visitar o líder da fé que ele diz professar. O evento, como sabemos, não aconteceu. E a esta altura fica quase impossível apurar com exatidão se houve ou não um pedido formal de Biden e uma negativa formal do Santo Padre.

O que sabemos é que seria explosivo se Biden tivesse comungado das mãos do Romano Pontífice, dado que ele está claramente impedido de aproximar-se do sacramento da Eucaristia devido ao seu apoio público e financiamento do aborto (causa de excomunhão automática na Igreja Católica), além de ser um entusiasta da união gay. Ele mesmo chegou, no passado, a oficiar uma união deste tipo pessoalmente. Se Biden comungasse seria escandaloso porque hoje (16) tem início a assembléia geral dos bispos americanos, cujo tema principal é A Coerência Eucarística. E, em nome da coerência, nada mais correto do que negar a comunhão do Corpo de Cristo a Biden. Isto está previsto no Código de Direito Canônico da Igreja, que inclusive penaliza duramente o sacerdote que administrar sacramentos a quem está impedido de recebê-los (cânon 1.379 §4).

Imaginem o conflito epocal que emergiria na assembléia dos bispos americanos entre clérigos conservadores, como Gomes, Aquila e O’Malley, e progressistas, tais como Cupich, Gregory et caterva. O debate saudável sobre a coerência eucarística seria substituído pelo rasteiro debate político entre os que defendem e os que se opõem ao atual presidente “católico” americano.

Por ora, diante da dificuldade de confirmar as informações da CNA, ressaltamos que é salutar que Biden, neste momento, não tenha se encontrado com o papa e nem comungado. O primeiro tête-à-tête entre os dois deve ficar mesmo para outubro deste ano, quando Biden estará em Roma para a cúpula dos líderes do G20. Se Biden, em outubro, quiser comungar, a regra é clara e incontornável: é necessário se confessar e ter a firme intenção de não mais pecar, a fim de que o sacramento da reconciliação seja válido e ele possa ter livre acesso à Eucaristia. Quem sabe o Santo Padre não lhe dá a penitência de retirar o financiamento do aborto com o dinheiro do pagador de impostos americano? Sonhar não é pecado.

 


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