ÓDIO A ISRAEL

Guilherme Boulos, a nova face do anti-semitismo

Ricardo Gancz · 29 de Novembro de 2020 às 10:17

Candidato psolista representa a nova face do anti-semita, para quem os judeus têm o direito de existir, só não podem ocupar lugar no espaço

Anti-semitas como o pastor de Barack Hussein Obama, Jeremy Wright, que comparou judeus com cupins que devem ser exterminados, estão ficando cada vez mais raros no mundo ocidental. A esquerda de hoje não aceita mais que os judeus sejam chamados de uma raça inferior nem que se grite clamando diretamente pelo extermínio dos judeus.

O conceito de raça foi substituído pela adesão política real ou imaginada e, ao invés de clamarem pela eliminação dos judeus, são ativos na busca pela destruição de Israel.  Isso equivale, como disse o nosso professor Olavo de Carvalho, a aceitar que os judeus existam, mas não que eles ocupem espaço. Nesse artigo, mostrarei como esse processo ocorre.

Afirmei em texto anterior que a nova retórica anti-semita é a troca da velha desumanização explícita dos judeus pela demonização de Israel e, assim, tanto os judeus como os apoiadores de Israel são legitimamente desumanizados por associação com o demônio.

Para mostrar em detalhes como esse processo ocorre, é necessário escrever um livro inteiro (algo que estou fazendo) e, por ora, adianto que existem cinco temas principais que criam esse processo. Esses temas são cinco lógicas que regem o conteúdo do discurso do anti-semita. Cada um dos temas em separado já caracterizam o anti-semitismo. Contudo, e de forma muito mais cruel, quando eles são colocados em conjunto, ficamos diante de uma verdadeira retórica assassina.

Irei apresentar em linhas gerais quais são esses cinco temas para logo em seguida mostrar como Guilherme Boulos não apenas é um anti-semita mas conseguiu ser um exemplo didático para ilustrar esses cinco temas, uma vez que ele se valeu de todos os cinco em um texto curtíssimo.   

1 - Essa demonização significa aplicar padrões e exigências unicamente à Israel e que não seriam nem esperadas nem exigidas de nenhum outro país.

O principal meio de demonização é o uso de slogans. Na retórica, o slogan é o uso de um termo que, por si só, é vazio, mas gera no ouvinte uma reação de aceitação ou rejeição; louvor ou censura; culpa ou absolvição em função das idéias e fatos associados a esse slogan. O preenchimento dos slogans é feito com critérios completamente distintos, a fim de gerar uma igualdade onde não há nenhuma, de demonizar a melhor das ações ou de louvar as maiores atrocidades.

Negar o direito de Israel se defender de mísseis lançados contra a sua população enquanto isso nunca seria exigido de nenhum outro país. Um outro exemplo é dizer que os territórios em Israel que estão em disputa e são apenas um caso dentre mais de 100 no mundo inteiro e chamá-los de “ocupados” são exemplos de aplicações de critérios diferentes. Quando um terrorista que se explodiu em um ônibus lotado é louvado como um lutador pela paz, temos um exemplo de um slogan sendo aplicado.

2 - Essa demonização significa usar esses padrões e exigências únicos como base para fazer as piores acusações contra Israel.

Uma vez que Israel é colocada sob um critério impossível de ser cumprido, e julgada a partir desse critério, as conclusões são as piores possíveis: Israel comete genocídio; Israel tem um regime de apartheid; Israel é um regime com políticas nazistas.

3 - Essa demonização significa se basear nas acusações gravíssimas para concluir e agir de modo que Israel seja ser destruída.

No plano do discurso, defender que Israel deva ser destruída, propagar idéias que levem um número cada vez maior de pessoas a considerar aceitável e até mesmo justa a destruição do Estado judeu.  Exemplos dessas ações: boicotes a Israel na esfera econômica, cultural e social e apoio direto à grupos que desejam literalmente a destruição de Israel.

4 - Essa demonização significa que todo aquele que não aceite a destruição de Israel é automaticamente culpado pelos mesmos crimes que Israel é acusada seja como participante seja como conivente.

Isso inclui todos os conservadores, mas não necessariamente todos os judeus. O tipo de judeu aceitável é um JAN (Judeu Apenas Nominalmente) como Bernie Sanders ou George Soros, que são tão judeus quanto Manuela D’Ávila e Lula são católicos, e que ativamente lutam contra Israel.  

5 – Quando confrontados por causa do discurso anti-semita, eles se dizem contra o anti-semitismo e arrumam algum JAN para defendê-los

Inevitavelmente, quando alguém defende grupos terroristas enquanto clama pela destruição de Israel, cedo ou tarde a pessoa será acusada de anti-semita. Portanto, o acusado se apressará em se dizer contra o extermínio de judeus, contra o holocausto e se colocando somente como crítico de Israel. (o que, por si só já é um exemplo do primeiro tema que eu descrevi). O anti-semita sempre fica indignado com a acusação e normalmente se coloca como vítima de uma perseguição sionista, trazendo aí um dos velhos temas do anti-semitismo. Em sua defesa, os JANs vêm abanando o rabo de alegria por terem a oportunidade de usar a “identidade judaica” como arma contra Israel, os judeus, o judaísmo e o conservadorismo. 

Guilherme Boulos e os 5 temas

Vejamos, agora, um trecho de um artigo de Guilherme Boulos publicado na agência de Fake News Folha de São Paulo. O artigo completo está aqui.

Já passam de 1.200 palestinos mortos na faixa de Gaza desde o dia 8 de julho. Entre eles centenas de crianças. Os bombardeios de Israel não pouparam nem escolas e hospitais, supostamente “bases para terroristas”. Ontem atacaram um abrigo da ONU, matando 19 palestinos. O Comissário da Agência da ONU para os refugiados disse que crianças foram mortas enquanto dormiam. Não satisfeitos, bombardearam também a única usina que fornecia energia elétrica para Gaza.

Às escuras, sem refúgio seguro nem hospitais e com cadáveres espalhados entre os escombros da destruição –este é o retrato da faixa de Gaza.

É possível uma posição de neutralidade? Só para os hipócritas. Neutralidade perante a barbárie e o genocídio equivale a tomar posição a seu favor. Não há meio termo possível em relação a Israel.

O colunista desta Folha Ricardo Melo teve a coragem de defender que a única solução para a questão é o fim do Estado terrorista de Israel. Foi bombardeado pelos sionistas de plantão e pelos defensores da neutralidade. E, como não poderia deixar de ser, acusado de antissemita.

Comentário trecho por trecho de acordo com os temas da demonização.

Vejamos, agora, como as quatro etapas da demonização aparecem no discurso de Boulos.

 Já passam de 1.200 palestinos mortos na faixa de Gaza desde o dia 8 de julho.

Antes de fazer qualquer operação, Israel deixou que seus próprios civis vivessem sob o terror constante de foguetes durante a madrugada, em uma situação que gera a infeliz realidade de que a maioria das crianças que moram nas cidades que são alvos de mísseis são diagnosticadas com TEPT (Transtorno do Stress Pós Traumático). Mas isso Boulos não conta. E, ele não conta muito mais.

Boulos não conta que o grupo terrorista Hamas já havia lançado mais de 200 foguetes contra a população civil em Israel.

Boulos também não conta que três jovens foram seqüestrados dentro de Israel por terroristas e mortos.

Boulos também não conta que Israel já tinha aceitado algumas vezes um cessar-fogo com o Hamas somente para ver o Hamas continuando a lançar foguetes.

Boulos também não falou que Israel avisava por telefone, mensagens de texto e em alguns casos até mesmo por panfletos jogados por via aérea quando iria atacar algum lugar.

Boulos não diz que a maioria dos mortos eram terroristas, na maioria do Hamas, mas também do Fatah e da Jihad Islâmica.

E, finalmente, Boulos não fala que nenhuma dessas mortes ocorreriam se não fosse esses grupos terroristas.

Vejamos o que ele fará a partir dessas omissões.

Entre eles centenas de crianças.

Isso aqui é simplesmente mentira e um número extremamente inflado. Boulos não conta que a maior parte dessas crianças mortas tinham entre 16 e 18 anos e faziam parte do Hamas, que não tem o menor pudor de recrutar crianças de até mesmo 12 anos. Voltarei a falar sobre as crianças abaixo.

Os bombardeios de Israel não pouparam nem escolas e hospitais, supostamente “bases para terroristas”. Ontem atacaram um abrigo da ONU, matando 19 palestinos. O Comissário da Agência da ONU para os refugiados disse que crianças foram mortas enquanto dormiam. Não satisfeitos, bombardearam também a única usina que fornecia energia elétrica para Gaza.

Boulos não conta que o Hamas já tinha um histórico antigo de usar civis, mulheres e crianças de escudos humanos com o objetivo de impedir que Israel ataque ou, então, colocam mulheres e crianças para ficar junto com os terroristas e caso Israel bombardeie o local para matar os terroristas, eles também serão mortos e, posteriormente, poderão condenar Israel por matar crianças.

Da mesma forma, o Hamas se apoderou de instalações da ONU, em particular de escolas, e passou a usá-las como base de ataque ou então para esconder armas. Essa ação foi tão documentada e condenada que até mesmo a Anistia Internacional que é notoriamente anti-Israel, escreveu um relatório condenando as práticas do Hamas.

Ninguém precisa ter nenhum apreço por Israel para condenar que civis sejam usados como objetos descartáveis em uma guerra de propaganda. Qualquer pessoa que tenha senso de moral condena o abuso que é o uso de mulheres e crianças como escudos-humanos. Mas Guilherme Boulos não é qualquer pessoa.

Ele coloca um padrão de exigência tão estrito para Israel no qual a única ação aceitável é deixar suas mulheres e crianças receberem dezenas de mísseis diariamente na cabeça sem fazer nada e um outro padrão de exigência para o grupo terrorista Hamas que é tão frouxo que permite que o Hamas force suas mulheres e crianças a morrer como escudos-humanos sem que isso desperte a menor condenação.

Se isso não bastasse, Boulos ainda usa a expressão “não satisfeitos” (grifada por mim no texto) que indica que Israel tinha algum prazer macabro em fazer mal à população de Gaza, reforçando a sua mensagem de que Israel não poderia se defender.

Somente aqui, já temos um exemplo claro da nova retórica anti-semita sendo usada pelo Boulos quando ele emprega o primeiro tema.

Às escuras, sem refúgio seguro nem hospitais e com cadáveres espalhados entre os escombros da destruição –este é o retrato da faixa de Gaza.

Essa descrição serve especialmente para enfatizar que Israel não é apenas culpada mas para dar a impressão de que Israel está atacando vítimas inocentes em toda a faixa de Gaza. Isso serve como preparatório para Boulos aplicar os outros três koinoi topoi.  

É possível uma posição de neutralidade? Só para os hipócritas. Neutralidade perante a barbárie e o genocídio equivale a tomar posição a seu favor. Não há meio termo possível em relação a Israel. O colunista desta Folha Ricardo Melo teve a coragem de defender que a única solução para a questão é o fim do Estado terrorista de Israel.

Aqui, nós temos o segundo tema aplicado de forma precisa. A partir do critério e níveis de exigências absurdos que são tomados como verdadeiros, Boulos conclui e acusa Israel de cometer “barbárie” e “genocídio” de ser um Estado terrorista. O uso de expressões chocantes como “racismo”, “nazismo”, “genocídio”, etc são bastante comuns no segundo tema e funcionam como uma mentira dupla: as premissas em que as acusações se baseiam são absurdas e a acusação é hiperbólica.

O colunista desta Folha Ricardo Melo teve a coragem de defender que a única solução para a questão é o fim do Estado terrorista de Israel. Foi bombardeado pelos sionistas de plantão e pelos defensores da neutralidade. E, como não poderia deixar de ser, acusado de antissemita.

O terceiro tema está explicitamente aplicado aqui. Ele parte da fundação de que Israel é um agressor imoral (tema 1) e que essas agressões constituem genocídio (tema 2). Depois de estabelecer esses “fatos”, a conclusão é que um lugar assim deve deixar de existir (tema 3). Nada mais normal, portanto, do que clamar pela “destruição do Estado terrorista de Israel”.

Quando Boulos declara que é um ato corajoso pedir o fim do “Estado terrorista de Israel”, ele está ao mesmo tempo exortando que as pessoas tenham coragem de defender as supostas vítimas oprimidas e não tenham medo de levar até as últimas conseqüências o que fazer com o suposto agressor, novamente exemplificando o terceiro tema apontado.  

É possível uma posição de neutralidade? Só para os hipócritas. Neutralidade perante a barbárie e o genocídio equivale a tomar posição a seu favor. Não há meio termo possível em relação a Israel.

O colunista desta Folha Ricardo Melo teve a coragem de defender que a única solução para a questão é o fim do Estado terrorista de Israel. Foi bombardeado pelos sionistas de plantão e pelos defensores da neutralidade. E, como não poderia deixar de ser acusado de antissemita.

O quarto tema aparece a partir das partes do texto grifadas. Boulos diretamente acusa os que não aceitam o que ele está defendendo não somente de hipócritas mas de serem a favor da barbárie e do genocídio.

Quando ele diz que “não há meio termo possível em relação a Israel” e analisamos isso perante ao próprio discurso dele, Boulos está dizendo diretamente falando: ou você apóia a destruição de Israel, ou você é a favor do genocídio e da barbárie.

Finalmente e, não menos importante, a mensagem termina com uma exortação da coragem de quem publicamente pediu pelo fim de Israel. A exortação da coragem é ao mesmo tempo uma forma de angariar mais pessoas que defendam o fim de Israel quanto de taxar de covardes aqueles que não o fazem.

O colunista desta Folha Ricardo Melo teve a coragem de defender que a única solução para a questão é o fim do Estado terrorista de Israel. Foi bombardeado pelos sionistas de plantão e pelos defensores da neutralidade. E, como não poderia deixar de ser acusado de antissemita.

Seguindo a cartilha do anti-semitismo de forma precisa, Guilherme Boulos usa traz o último dos temas quando se mostra indignado com a acusação de anti-semitismo que foi bombardeada pelos “sionistas de plantão e defensores da neutralidade”. Boulos já disse que os defensores da neutralidade são hipócritas e a favor da barbárie e do genocídio. Os sionistas, ele não precisa sequer dizer o que são.

 


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