VIOLÊNCIA

Empresário atacado por petista morreu em 2021 com sequelas da agressão

Letícia Alves · 12 de Julho de 2022 às 10:55

Após ser agredido, Carlos Alberto Bettoni passou por diversas internações causadas por crises convulsivas, até que contraiu covid-19 numa UPA enquanto aguardava transferência para um hospital. Por causa da saúde debilitada pelas sequelas da violência, não resistiu

O empresário Carlos Alberto Bettoni, vítima de agressão do ex-vereador Maninho do PT, morreu em dezembro de 2021 de covid-19, ainda com sequelas graves da violência sofrida.

Em abril de 2018, Bettoni manifestava-se democraticamente em frente ao Instituto Lula, em São Paulo, por ocasião da prisão do ex-presidente. Maninho, que acompanhava grupo de militantes petistas, começou a discutir com ele e, em seguida, partiu para as agressões: empurrões, chutes e tapas, até que o empresário caiu e bateu a cabeça no para-choque de um caminhão, chegando a quase ser atropelado.

Momento da dicussão entre Maninho e Bettoni

As consequências da violência afetaram drasticamente a saúde do empresário, que ficou impossibilitado de trabalhar por causa de diversas crises convulsivas, chegando a ser hospitalizado várias vezes — inicialmente em hospitais particulares e, com a piora da situação financeira, públicos. Em dezembro, após nova convulsão, ele buscou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde ficou internado aguardando transferência para um hospital. Foi lá que contraiu covid-19, apesar de ter duas doses de vacina. Com a saúde fragilizada por causa das agressões, não resistiu.

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A família de Bettoni afirma que, antes da violência, ele tinha uma boa saúde e que o episódio contribuiu para sua morte. Os laudos médicos corroboram com a tese.

Em entrevista ao portal Metrópoles, a filha do empresário, que não quis ter o nome divulgado, contou que os últimos anos foram de muito sofrimento. “Meu pai tinha a saúde perfeita antes do ocorrido. Eu o vi decaindo. Foi muito triste e difícil. Ele faleceu em 2021, mas, para mim, a vida dele acabou em abril de 2018”, disse.

O crime

Maninho do PT chegou a ficar preso preventivamente por sete meses, mas depois foi posto em liberdade. Ele e seu filho viraram réus por tentativa de homicídio, mas ainda aguardam julgamento.

Trecho de denúncia do Ministério Público relata que "o crime foi cometido com emprego de meio cruel" e que "os indiciados elegeram para a prática delitiva, meio apto a provocar no ofendido intenso e atroz sofrimento físico, em contraste com o mais elementar sentimento de piedade humana”.

Em depoimento, o petista confessa o crime e admite que a vítima não reagiu às agressões físicas. “Consegui empurrá-lo algumas vezes, ele continuou xingando, e eu segui empurrando ele. Cheguei a dar um chute na canela e, no final, ele se virou contra mim e eu dei um tapa com a mão aberta no rosto dele e ele caiu”, relatou.
 

Lula agradece a agressor

No último sábado, o ex-presidiário e pré-candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante discurso em Diadema (SP), agradeceu a Maninho do PT por tê-lo "defendido". O que Lula não disse foi que Maninho agrediu gravemente Bettoni, causando indiretamente sua morte anos depois.

“Maninho, por me defender, ficou sete meses preso porque resolveu não permitir que um cara ficasse me xingando. Quero, em teu nome, agradecer a toda solidariedade do povo de Diadema. Obrigado, Maninho! Essa dívida que tenho com você, jamais a gente pode pagar em dinheiro”, disse o ex-presidente.

No dia seguinte à declaração de Lula, o tesoureiro do PT de Foz de Iguaçu, Marcelo Aloizio de Arruda, foi morto após troca de tiros no seu próprio aniversário. O caso ainda está sendo investigado e o suspeito, o policial Jorge José da Rocha Guaranho, está hospitalizado em estado grave, pois também foi atingido.

Embora ainda não haja a confirmação de que o crime foi motivado por discussão política — o que foi comprovado no caso de Maninho e Bettoni —, o Partido dos Trabalhadores já informou que vai enviar uma manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o presidente Jair Bolsonaro seja responsabilizado por incitação à violência.

Bolsonaro, no entanto, se manifestou após o episódio repudiando a violência contra opositores. "Dispensamos qualquer tipo de apoio de quem pratica violência contra opositores. A esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda, que acumula um histórico inegável de episódios violentos", publicou em seu Twitter. Também disse que quer que apurem o caso e tomem providências.

 


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