MONARQUIA

Elizabeth II, a rainha mais pop da história

Claudio Dirani · 9 de Setembro de 2022 às 15:24

A morte da monarca britânica, aos 96 anos, deixa como legado uma história de esforços para se aproximar de seus súditos e artistas



Londres, 26 de julho de 2002. A ocasião não poderia ser mais controversa. Mick Jagger, dos Rolling Stones, uma das faces mais simbólicas da contracultura dos anos 60, recebeu no dia de seu aniversário de 59 anos a notícia de que seria condecorado Cavaleiro do Império Britânico nas dependências do Palácio de Buckingham, em evento marcado para dezembro de 2003.

Ainda que o significativo momento não viesse a contar com a participação da rainha – mas com seu filho, que hoje já é chamado de rei Charles III (rumores dos tabloides indicavam que Elizabeth não quis prestar a honraria, após saber que Jagger teve um caso com uma pessoa da família) – o gesto favorável a um artista que sempre representou o oposto ao espírito monárquico foi mais um aceno favorável do próspero reinado de Elizabeth II em direção à rica cultura pop do país.



Uma seleção de cavaleiros do Império

Sem medo de errar, a Rainha Elizabeth II, além de ter sido a mais longeva (70 anos de reinado), foi a mais popular e discreta politicamente entre todas os membros da dinastia de Windsor. Ainda, assim, sua imagem não era à prova de ataques. O astro David Bowie, por exemplo, recusou ser condecorado em duas oportunidades: em 2000 e 2003, por se opor ao regime.

Não é possível ignorar. Mesmo que a herdeira de George VI não tenha se imposto na esfera política durante seu reinado (com exceção do incidente ligado ao canal de Suez, em 1956), algumas personalidades do pop britânico arriscaram compor músicas contra o simbolismo da monarquia.

Entre eles, os punks do Sex Pistols com a abrasiva “God Save The Queen” – talvez o mais contundente protesto do rock contra a realeza disparado no conturbado ano de 1976.

As ofensas do pop, entretanto, passaram quase imperceptíveis. Melhor. Além de ignorar ataques, a Coroa Britânica decidiu se aproximar mais dos movimentos artísticos, reconhecendo a importância histórica da música e das demais artes – sem politizá-los.

Entre todos esses grandes nomes do pop agraciados com honrarias do Reino Unido, talvez Paul McCartney seja o que mais tenha se aproximado da Monarca – e coberto Elizabeth II de elogios.

Em 11 de abril de 1997, por exemplo, Sir Paul McCartney deixou o palácio de Buckingham, cheio de orgulho por ser um Cavaleiro de Elizabeth II. Exibindo a medalha para a imprensa, o beatle declarou:

“Orgulhoso de ser britânico neste dia maravilhoso. Ringo e George agora vão brincar comigo e me chamar de Vossa Santidade”, comentou o artista em sua segunda passagem pelo palácio. Em 1965, vale a lembrança, Paul, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr estavam no mesmo local para receberem da mesma Elizabeth, outra comanda: a de Membros do Império Britânico.

No passar dos anos, Sir Paul não deixaria de exaltar a importância de sua chefe de estado.

“Ela é a rainha do rock and roll. Por incrível que pareceça, este será um dos motivos que seu reinado será lembrado. Quando pensarmos em Elizabeth II iremos lembrar nos Beatles”, destacou Paul em 2012.

Mais tarde, em 2018, Sir Paul McCartney voltou a ser lembrado por Elizabeth II. Desta vez, para ser agraciado com a ordem chamada Companion of Honour – uma comanda criada em 1917 pelo Rei George V, destinada aos membros do Commonwealth que se destacam por seus feitos pelo Império.

“Deus abençoe a Rainha Elizabeth II. Que ela descanse em paz. Longa vida ao Rei”, postou Paul em sua conta do Twitter, mas como uma formalidade. As homenagens à monarca mais pop da história, verdade seja dita, foram realizadas em vida.

 


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