CAFFÉ COM TEXTO

É preciso ter raça?

Alessandra Barbieri · 24 de Novembro de 2020 às 16:09

Na semana da consciência negra, nada poderia ser mais previsível e oportuno do que uma falsa narrativa para requentar o tema do “racismo estrutural”

Há quase quarenta anos, Paul McCartney e Stevie Wonder diziam que marfim e ébano vivem juntos, em perfeita harmonia, e que há “bom” e “mau” em cada uma das pessoas, nada importando a cor da sua pele.   

Elis Regina imortalizou a música de Milton Nascimento e Fernando Brant, uma dupla de negro e branco cuja parceria produziu um singular acervo cultural. Na letra de “Maria, Maria”, Milton e Fernando descreveram a marca de um povo que precisa ter “raça”.

O Brasil não é racista. Pessoas, sim, são racistas. Somos, provavelmente, o país mais miscigenado do mundo, com genomas que misturam código genético de indígenas, europeus, africanos e asiáticos. Apesar disso, alguns “movimentos” insistem em dizer que o Brasil é um país racista. É como se eles quisessem apagar a história da nossa própria existência.  

Na semana da consciência negra, nada poderia ser mais previsível e oportuno do que uma falsa narrativa para requentar o tema do “racismo estrutural”. De tempos em tempos, os ativistas das causas “minoritárias” flamulam suas bandeiras imaginárias na cara daqueles que elegeram como algozes.

Aliás, sobre a visão confusa e distorcida desses agentes a respeito de racismo e preconceito, recomendo fortemente a leitura do ensaio primoroso de Fabio Gonçalves para o Brasil Sem Medo.

A bola da vez é o episódio repulsivo e absolutamente reprovável ocorrido nas dependências de um supermercado em Porto Alegre, onde um homem morreu após agredir os seguranças do local e ser espancado por eles na sequência.

Tão repugnante quanto a atitude desmedida e desproporcional dos seguranças foi a militância dos partidos de esquerda que, irmanados com os partidos fisiológicos que lhes dão esteio, sobrevoaram a carniça muito antes dos urubus. De maneira vil e inescrupulosa, usaram a tragédia pessoal dos envolvidos para montar um palanque de narrativas e hastear lá suas bandeiras ideológicas...