CONTROLE SOCIAL

DUPLIPENSAR

Especial para o BSM · 16 de Maio de 2020 às 10:29

Cada vez mais a sociedade brasileira está parecida com um livro de George Orwell

Acompanhando o noticiário dos últimos dias, me deparei com alguns eventos que me fizeram lembrar do escritor George Orwell, autor de obras reconhecidas mundialmente, dentre elas 1984 e A Revolução dos Bichos.

A primeira notícia que me fez recordar do sobredito autor foi a exigência uniforme, em quase todo o Brasil, de que os cidadãos utilizem máscaras de proteção contra o Covid-19 para que possam sair na rua. Caso assim não procedam, podem ser advertidos, multados ou até mesmo presos. Ocorre que, muito embora as 10 mil mortes já atingidas sejam mesmo motivo de preocupação, é fato que, durante anos a fio, os 65 mil homicídios anuais ocorridos no Brasil não ensejaram nem de longe uma preocupação semelhante. Aliás, aqueles que quiseram se defender deste mal bem maior sempre tiveram vedada essa possibilidade, proibindo-se ao cidadão de bem o direito de adquirir uma arma de fogo para a sua defesa e de sua família. Em outras palavras, 10 mil mortes até maio pelo vírus já exigem dos indivíduos obrigações inadiáveis, mas de duvidosa eficácia. Entretanto, por outro lado, 65 mil assassinatos anuais parecem nada significar, preferindo-se deixar as pessoas indefesas ao invés de se permitir uma efetiva proteção. 

Outro fato que me fez lembrar o referido escritor foi a decretação do STF, no último domingo, de luto oficial por três dias também em função do atingimento de 10 mil vítimas fatais por conta do malfadado coronavírus. Em que pese eu não tenha nada contra a homenagem ou a simbologia do ato em si, fico a me perguntar o porquê de providência semelhante não ter sido feita a cada ano em nosso país, este a registrar, em números absolutos, o maior índice de homicídios dolosos ocorridos em todo o planeta Terra. Será que as vítimas de crimes violentos não possuem a mesma importância que as demais? Ou será que a atomização da sociedade, o medo e criminalidade em geral são convenientes para os propósitos de alguns, estes interessados cada vez mais na concessão voluntária das liberdades individuais das pessoas, isso em troca de uma pseudoproteção por parte de um poder global, central e absoluto? Creio que estas são indagações pertinentes e que, por óbvio, merecem uma reflexão aprofundada.