PERDA PARA O BRASIL

Dr. Wong, um herói brasileiro

Paulo Briguet · 16 de Janeiro de 2021 às 11:01

Homenagem ao médico pediatra e toxicologista Anthony Wong, que morreu aos 73 anos em São Paulo

Na noite da última sexta-feira, depois de um mais um dia que os donos do país passaram tentando derrubar o presidente da República e jogar em seus ombros uma responsabilidade que lhe foi retirada pelo próprio sistema, e mais uma vez falharam vergonhosamente, o Brasil recebeu uma notícia triste, inesperada e devastadora: a morte do médico pediatra e toxicologista Anthony Wong, aos 73 anos. Ele faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, provocada pelo rompimento de úlcera gástrica e por uma hemorragia digestiva.

Se fosse preciso definir o Dr. Wong em apenas uma sentença, eu diria que ele foi um homem que realizou o sentido da própria vida. Nascido em Nanquim, na China, em 1947, veio para o Brasil com a família aos 5 anos de idade. Formou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo e fez residência em duas especialidades nas quais se notabilizou: Pediatria e Toxicologia.

Esse paulistano nascido na China tornou-se nacionalmente conhecido durante a pandemia do vírus chinês. Durante o fatídico ano de 2020, foi à mídia e concedeu entrevistas antológicas, defendendo com argumentos científicos e clínicos a importância do tratamento precoce da doença e o protocolo à base de hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, zinco e vitamina D. Esse tratamento ― cuja eficácia restou comprovada por dezenas de estudos científicos ―, se aplicado na fase correta, ou seja, entre o 1º e o 5º dia do aparecimento dos sintomas, impede o agravamento da doença e reduz drasticamente o número de internações hospitalares, evitando colapsos como o que se verifica atualmente em Manaus.

Mesmo perseguido pelos donos do país ― aqueles que não admitem uma cura que não seja ofertada por eles mesmos ―, Dr. Wong combateu o bom combate. Argumentou, debateu, testemunhou e, por vezes, denunciou. Sua luta em defesa da verdade foi simplesmente heroica. E seu trabalho será sempre lembrado, como um modelo para os bons médicos e os bons brasileiros.

O heroísmo do Dr. Wong, porém, não se limita ao ano da pandemia. Por quase meio século, desde que se formou, Wong vinha lutando em duas frentes: uma guerra de defesa e uma guerra de ataque. Como pediatra, lutou incansavelmente pela saúde e a vida das crianças. Como toxicologista, combateu frontalmente o câncer das drogas. Em suas palestras, sempre destacava a relação existente entre as duas frentes de batalha, pois os demônios do tráfico sabem que as crianças e adolescentes são alvos especialmente vulneráveis. Dr. Wong conhecia como poucos os efeitos devastadores da droga nas pessoas, nas famílias e na sociedade. Desde 1976, atuava no Instituto da Criança e do Adolescente, onde foi médico-chefe do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox).

É impossível calcular o número de vidas que Anthony Wong salvou ao longo de sua trajetória. Quantas crianças ele tratou? Quantos jovens ele orientou? Quantos escravos do vício ele libertou? Quantos pacientes obtiveram a cura graças à sua voz?

Que Deus o receba na infinita misericórdia, Dr. Wong. Na eternidade, o sr. terá a atenção e o respeito que nem sempre lhe concederam aqui.

Paulo Briguet é cronista e editor-chefe do BSM.


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