CUBA

Ditadura cubana reprime artistas e intelectuais dissidentes

Lucas Ribeiro · 1 de Dezembro de 2020 às 16:47

Movimento de San Isidro reúne jovens que lutam pela liberdade e a democracia na ilha socialista

Integrantes do San Isidro fazem o gesto simbólico do grupo: o L de Libertad

 

 

As últimas semanas foram marcadas por protestos, greve de fome e manifestações pacíficas na frente do Ministério da Cultura em Cuba. Um grupo formado por intelectuais e artistas dissidentes cubanos protagonizou uma série de movimentos que tiveram repercussão internacional.

Em entrevista ao BSM, o doutor em Filosofia e líder da Assembleia da Resistencia Cubana (ARC), Orlando Gutierrez Boronat afirmou:

“O Movimento San Isidro é uma agrupação de jovens criativos e intelectuais cubanos que se uniram para lutar pela liberdade de expressão e uma mudança democrática em Cuba. Luis Manuel Otero Alcántara, Maykel Osorbo e a Dra. Omara Ruiz Urquiola estão entre os principais referentes.”

Boronat explicou que os jovens fizeram uma greve de fome frente o abuso repressivo da ditadura castrista, e que eles exigem libertação do rapper Denis Solís, preso no dia 16 de novembro por desafiar intelectual e civicamente o regime. Depois de mais de uma semana de greve de fome, a repressão castrista rompeu violentamente no apartamento dos membros do Movimento San Isidro. Policiais da ditadura agrediram e prenderam vários manifestantes. A ação repressiva do governo cubano gerou uma nova manifestação, na última sexta-feira (27): centenas de pessoas protestaram na frente do Ministério da Cultura. Houve também manifestações em mais de 20 pontos em Cuba. 

Além da repressão direta do governo, existe a repressão dos “Comités de Defensa de La Revolución” (CDR), uma mistura de Camisas Negras de Mussolini, Antifa, Coletivos Chavistas e os Conselhos Populares ― uma milícia que o PT gostaria de ter criado no Brasil. São grupos da sociedade civil subordinados ao Estado que têm a missão de defender a revolução por meio de atividades de inteligência, espionagem, acosso da população, intimidação, delação, fustigamento e violência. Os CDR também buscaram intimidar o Movimento San Isidro.

No Brasil, jornais de extrema-esquerda como o Brasil de Fato, vinculado a Opera Mundi, repercutiram a narrativa comunista de que esse movimento é uma tentativa de  golpe dos yankees para derrubar o governo cubano. Eles repercutiram do instrumento de propaganda do regime, o jornal Granma.

O povo de Cuba apoiou o movimento pró-democracia e anticomunista como pode ser vista no vídeo publicado pelo ativista de Direitos Humanos Felix LLerena. Diversas organizações políticas cubanas declararam apoio ao Movimento San Isidro como:  Dr. Orlando Gutiérrez-Boronat da Assembleia da Resistencia Cubana (ARC); Rosa Maria Payá líder da plataforma Cuba Decide; José Daniel Ferrer da União Patriótica de Cuba (UNPACU); entre outros líderes democráticos e anticomunistas de Cuba.

Além de autoridades cubanas, líderes latino-americanos demostraram apoio ao movimento como: os ex-presidentes de Costa Rica Laura Chinchilla e Miguel Ángel Rodríguez; o ex-presidente da Bolívia Jorge Tuto Quiroga; além de Humberto Calderón Berti, ex-ministro e chanceler da Venezuela; e José Rodriguez Iturbe, ex-presidente da Câmara de Deputados da Venezuela, segundo informou o jornal ADN Cuba.

Para um jornalista cubano que vive no Brasil, e que prefere não ser identificado por razões de segurança, o Movimento de San Isidro teve um impacto como há muito não havia ocorrido. Foi um “sopro de liberdade e democracia” na ilha totalitária. Poderá esse sopro se transformar uma primavera democrática?


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