RELAÇÕES EXTERIORES

Diplomacia conservadora

Lucas Ribeiro · 13 de Junho de 2020 às 11:49

Uma visão conservadora-soberana da política externa de Ernesto Araújo e Jair Bolsonaro: América do Sul e inserção comercial

Nas últimas semanas, uma série de expoentes de gestões anteriores se reuniram para criticar visceralmente a política externa do chanceler brasileiro Ernesto Araújo. Buscaremos trazer diversos pontos do que vem sendo feito na gestão Bolsonaro em temas internacionais numa visão diferente dos padrões gramscistas-socialistas ou liberais-globalistas que dominam o nosso debate nas relações internacionais, e esse artigo se baseará numa visão conservadora-soberana. No presente artigo, avaliarei as relações do Brasil na América Latina e inserção comercial  do nosso país no contexto internacional. Nos próximos textos, vou avaliar as relações com EUA e China; relações com organismos internacionais; e por fim um esboço contrapondo as visões de mundo conservadora-soberana, liberal-globalista e gramcista-socialista. Serão necessários alguns artigos para elucidar todos esses temas. Começaremos com América Latina e a Inserção Comercial.

A atuação da chancelaria Ernesto Araújo na América Latina e defesa da democracia na região

Na América Latina, o Brasil vem adotando uma posição de luta pela democracia e liberdade no continente. As críticas aos regimes venezuelanos e cubanos subiram de tom na chancelaria Araújo, numa política que chamarei de “princípios e pragmatismo”. A Venezuela sofreu uma deterioração de um governo autoritário em direção a um narco-estado totalitário e que é claramente a maior ameaça à segurança continental. Nossa chancelaria compreende que não devemos ficar inertes diante desse regime. O tom subiu.

Da mesma forma, um tema que era tabu na nossa política externa passou a ganhar mais relevância: a ditadura cubana. Diversos intelectuais, críticos contundentes dos regimes autoritários de 30 a 40 anos atrás, mudam de postura quando o assunto é Cuba. A posição muda da defesa de direitos humanos e democracia para uma ferrenha postura de não ingerência; ignora-se o sofrimento de um povo submetido ao stalinismo tropical por mais de 60 anos. É curioso que intelectuais, políticos e diplomatas que construíram o Foro de São Paulo — o instrumento internacional que mais interferiu na política doméstica dos países da América Latina —, de repente, tornam-se ferrenhos defensores de um princípio absoluto de não interferência quando o assunto é Cuba. Essa postura, na prática, favorece a permanência da ditadura mais longa e genocida do continente americano. O duplo padrão é claro. Ou seja, se é um projeto socialista totalitário não se pode criticar (considerando dessa forma “ingerência” ou “interferência”); contudo, quando o congresso paraguaio destituiu Fernando Lugo observou-se um alinhamento de chancelarias coordenados pela região pautados na visão do Foro de São Paulo e executados na Unasul. Nesse caso, não houve hesitação em interferir, e inclusive foi declarado como uma “defesa da democracia”. Ou ainda, quando em 2009 Raul Reyes foi alvo de uma operação de combate as drogas na fronteira entre Colômbia e Equador, existiu uma interferência bem concreta com coordenação de diversos países da região em defesa do narcoterrorista. Hoje isso mudou. Araújo e Bolsonaro não se furtam a criticar os regimes totalitários de Cuba e Venezuela com veemência, e a defender os valores de liberdade e democracia ocidentais nos dois países...