LIVE SEMANAL

“Deixa o menino trabalhar!”, diz Bolsonaro

Paulo Briguet · 10 de Setembro de 2020 às 20:19

Presidente comentou caso do menino e do relojoeiro de Goiás e diz que não vai tabelar preços em seu governo

A live do presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (10) teve uma ilustre convidada: a repórter mirim Esther Castilho, de 10 anos. Apesar da pouca idade, Esther revelou-se mais bem preparada do que muitos “jornalistas profissionais” da grande mídia. Bolsonaro a conheceu há 4 anos, quando lhe concedeu uma entrevista durante a Exposição Agropecuária de Barretos (SP), a maior do Brasil.

O presidente, que havia acabado de participar da posse do ministro Luiz Fux no STF, começou falando sobre o projeto que aumenta a pena para maus-tratos a animais (cães e gatos), aprovado nesta semana pelo Congresso Nacional. A pequena Esther disse que três anos de prisão é pouco para quem maltrata cães e gatos. O presidente, no entanto, ponderou que a pena para abandono de incapaz (por exemplo, deixar um bebê na lata de lixo), é menos rigorosa. “Eu também defendo os animais, e só tenho duas opções em relação a esse projeto: sancionar ou vetar. Qualquer que seja a minha decisão, vou apanhar... Essa caneta Bic vai passar por maus momentos.”

Em seguida, Bolsonaro falou sobre um dos assuntos mais comentados da semana: a alta no preço do arroz. “Garanto que não vou interferir na lei do mercado e não vou tabelar preços. Aqui vale a lei da oferta e da procura. Na Venezuela, tudo é tabelado, e não tem nada.” Segundo o presidente, entre as causas da alta estão o auxílio emergencial (que aumentou o consumo do produto) e o dólar alto, que facilita a exportação. Por isso, uma das medidas do governo, tomada em conjunto com a ministra Teresa Cristina (Agricultura) e o ministro Paulo Guedes (Economia), foi zerar o imposto de importação e importar 400 mil toneladas de arroz. Bolsonaro garantiu que o governo está coeso em relação ao tema.

Sem entrar em detalhes sobre a posse do novo presidente do STF — “Estamos numa boa relação com o Judiciário e o Legislativo” —, Bolsonaro referiu-se ao caso do relojoeiro que presenteou um menino engraxate com um relógio e acabou sendo denunciado por “apologia do trabalho infantil”. “Eu também fui engraxate na infância. Deixa o menino trabalhar!”, disse o presidente.

Ao seu lado, a pequena Esther — que atua desde os 6 anos, apesar do Ministério Público do Trabalho.

 


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