ELEIÇÕES

Debate no SBT: Críticas à ausência de Lula e dobradinha entre os candidatos

Vinicius Sales · 24 de Setembro de 2022 às 21:42

Candidatos centraram fogo na ausência do petista, que preferiu utilizar o Twitter para criticar o presdiente. 

O debate realizado pelo SBT neste sábado (24), em parceria com CNN Brasil, Estadão/Rádio Eldorado, Veja, Rádio Nova Brasil e Terra, foi protagonizado pela ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o clima mais ameno entre os demais candidatos à presidência da república.

Ao faltar, Lula foi acusado pelos adversários de “fugir” do embate por não saber responder sobre suas promessas e casos de corrupção em seus governos anteriores foram citados. A campanha do petista alegou conflito de agenda para a ausência.

As críticas foram recorrentes aos debates. O presidente Jair Bolsonaro (PL) acusou Lula de ter protagonizado o “maior esquema de corrupção da humanidade” e, ao admitir que fala “alguns palavrões”, ressaltou que, pelo menos, não é “ladrão”.

Ele também acusou Lula de desviar dinheiro e voltou a chama-lo de ex-presidiário.

O ex-ministro de Lula, Ciro Gomes (PDT), disse que Lula decidiu não ir ao evento porque está de “salto alto” e “acha que já ganhou”. “Portanto, desrespeita a todos nós, seus oponentes e desrespeita especialmente a você [eleitor]”, declarou.

Questionado pela jornalista Tatiana Farah, do Terra, sobre a campanha do PT pelo chamado voto útil e se deixaria o PDT caso o seu partido apoie Lula em um eventual 2º turno entre o petista e Bolsonaro, Ciro afirmou que “uma das coisas graves que o lulopetismo corrupto está produzindo no Brasil é a morte do jornalismo”.

“O Lula produziu uma onda de propaganda que é o seguinte: todo mundo que não for Lula, é fascista. E ele tem a oportunidade de caracterizar como fascista o Bolsonaro. E ao invés de vir aqui, foge. Desrespeitando você, a todos nós. Ou porque já ganhou ou não tem como explicar”, disse.

A senadora Soraya Thronicke (União Brasil) chamou o ex-presidente de “covarde” e disse que ele não merecia o voto dos seus eleitores.

“Debate é como se fosse entrevista de emprego. Você contrataria um candidato que faltou a uma entrevista de emprego? Esse é o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que não merece o seu voto de maneira nenhuma. Ele não veio sequer à entrevista de emprego. É uma covardia, é coisa de quem não gosta de trabalhar”, disse.

Simone Tebet (MDB) afirmou que tanto Lula quanto Bolsonaro travam uma disputa de poder através do ódio enquanto as pessoas passam fome.

“Eles se alimentam dessa disputa ideológica. Um falta ao debate, não tem coragem de dizer quais são suas propostas para o Brasil, o outro mente descaradamente”, disse.
 

Dobradinha

A falta do petista forçou o debate a uma nova dinâmica. Para aproveitar o curto tempo de fala. Bolsonaro (PL) e o candidato do PTB à Presidência da República, Padre Kelmon, fizeram uma dobradinha ao para expor assuntos diversos, como a perseguição aos cristãos na Nicarágua.

Aliado de Lula, Daniel Ortega organiza expulsão de padres e freiras do país, além de fechar rádios católicas.

“O Ortega, o ditador, é amigo íntimo de Lula e Lula disse que não tem de se meter. O Brasil tem de fazer gestão desta crise?’, questionou Bolsonaro.

Concordando com o presidente, o padre ainda criticou partidos de esquerda por não realizarem críticas às perseguições que ocorrem no país.

“Somos uma nação cristã. Nós corremos o mesmo risco que corre o povo da Nicarágua. São padres que estão na cadeia, bispos que estão presos, é uma perseguição explícita. O ditador da Nicarágua é amigo do pessoal do foro de São Paulo e eu não vi em nenhum momento a esquerda brasileira criticar”, disse o padre.

Outros candidatos seguiram a mesma jogada. Como foi o caso de Thronicke e Tebet. A senadora do MDB pergunta para a colega sobre pobreza e economia. Ambas usam o tempo para apresentar propostas para a economia e o social. Soraya volta a falar do imposto único e Simone fala em fazer um governo que “garante segurança jurídica” e é “parceiro da iniciativa privada”

Ao falarem sobre voto útil, Ciro e Tebet também emendam respostas amigáveis. Ex-ministro critica a pergunta e diz que se sentiu “desrespeitado”. Criticou estratégia do PT. No comentário, Simone fez a dobradinha e também criticou o petista, o chamando de “covarde”.


STF

Questionado sobre o ativismo judicial, Bolsonaro afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) promove “clara” judicialização contra o governo.

“A judicialização feita contra o Executivo é clara, quase toda semana tem algo contra o Executivo […]. Essa questão realmente é grave, atrapalha o desenvolvimento do Executivo. O Supremo Tribunal tem que se preocupar basicamente com questão de constitucionalidade e deixar o governo ir para frente”, disse.

Ele também afirmou que os dois ministros que indicou ao STF durante seu mandato, Nunes Marques e André Mendonça, “são dos mais lúcidos integrantes daquela Corte”.


Lula no Twitter

Apesar de não ir ao debate presidencial, Lula utilizou o Twitter para criticar o chefe do Executivo. Ele participou de um comício em Itaquera, São Paulo - evento que usou para justificar a falta. 

“Bolsonaro diz que o partido dele é o Brasil. Mas a bandeira verde e amarela pertence à história do nosso país e do nosso povo. Se Bolsonaro quer ter uma bandeira para ele, ele que crie um partido político como eu criei o PT.”

 


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