UNIDOS CONTRA A COVID

Cresce pressão pelo tratamento precoce em Londrina

Paulo Briguet · 21 de Setembro de 2020 às 13:41

População de cidade paranaense acirra campanha pela adoção de tratamento eficaz da Covid-19 na fase inicial da doença

No mês de março, a Dra. Renata (nome fictício, personagem real), médica da Prefeitura de Londrina, ficou extremamente chocada ao receber no posto de saúde um homem de 41 anos em fase avançada de contaminação pela Covid-19. O paciente chegou à UBS com sérias dificuldades respiratórias, foi encaminhado ao hospital e entubado, vindo a falecer poucos dias. Quando Dra. Renata soube que sua irmã estava com os sintomas iniciais de Covid-19, não teve dúvidas: receitou-lhe o tratamento precoce da doença, com hidroxicloroquina, azitromicina e zinco. Os resultados foram excelentes; a irmã da médica recuperou-se rapidamente. A partir dessa experiência pessoal, Dra. Renata entrou em contato com médicos paranaenses que elaboraram um protocolo para tratamento precoce, já adotado por cidades como Belém (PA), Porto Feliz (SP) e Porto Seguro (BA).

Infelizmente, Dra. Renata tem visto muitas pessoas procurando o tratamento precoce na rede de saúde de Londrina — e voltando para casa com uma receita de dipirona e Tamiflu, com a recomendação de procurar um hospital “caso sintam falta de ar”. E por isso que Dra. Renata, juntamente com centenas de cidadãos londrinenses, inclusive diversos médicos, participou da carreata em defesa da adoção do tratamento precoce para Covid-19, realizada no último domingo (20) nas ruas da cidade. Foi a primeira manifestação pública desse tipo no Brasil.

O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), que é médico e se recupera da doença, afirma que o tratamento precoce é adotado no município desde o início da pandemia. Segundo Belinati, a Prefeitura dispõe de remédio para 30 mil tratamentos precoces. O prefeito acrescenta ainda que cabe aos médicos a decisão de prescrever os medicamentos.

No entanto, o quadro descrito pelo prefeito não corresponde à realidade que o médico Laércio Ceconello encontrou na rede municipal nos últimos meses. “O prefeito é uma pessoa sincera e provavelmente está sendo mal informado pelos subordinados”, diz Dr. Laércio. “A pandemia começou em março, mas a UPA Sabará [referência em Londrina] teve hidroxicloroquina apenas em 1º de julho, por um breve período de quatro dias”, relata o médico. “Posteriormente, eu consegui um empréstimo de 350 kits de tratamento precoce com um médico de Paraíso do Norte (PR). Em agosto, no entanto, houve um novo hiato sem cloroquina.”

Sobre a adoção do protocolo de tratamento precoce na rede municipal, Dr. Laércio lembra que os médicos que fazem plantão na UPA Sabará têm rotatividade enorme, são terceirizados e recém-formados, não possuem vínculo com a Prefeitura e não dispõem de conhecimento profundo sobre a Covid-19 e os métodos comprovadamente mais eficazes para combatê-la na fase inicial. “Muitas vezes me deparei com profissionais sem o mínimo conhecimento da doença e levei isso ao conhecimento do prefeito. Seria importante a administração oferecer um norte, uma capacitação quanto à fisiopatogenia e aos possíveis tratamentos da doença a estes profissionais iniciantes na carreira médica, sem ferir sua autonomia em relação a prescrever ou não a medicação.”

Dr. Laércio observa que, além do protocolo para tratamento precoce (do 1º ao 5º dia do aparecimento dos sintomas), existe também um tratamento recomendado para a segunda fase da doença (entre o 6º e o 14º dia): trata-se da combinação de corticóide, colchicina, bromexina e enoxaparina. “Ainda não se tem notícia de que o setor técnico da Prefeitura tenha tomado alguma medida quanto à aquisição desses medicamentos”, diz o médico.

Considerando essas informações, seriam necessárias quatro medidas urgentes para o combate à Covid-19 em Londrina:

1. Que a Prefeitura, nos moldes do que já acontece em centenas de municípios brasileiros, faça a recomendação oficial aos médicos plantonistas para que tratem precocemente os pacientes de Covid-19 com as medicações preconizadas pelo Ministério da Saúde para a fase 1, logo ao aparecimento dos primeiros sintomas;

2. Que se adote o protocolo de tratamento para a fase 2 nas unidades de saúde, especialmente na UPA Sabará;

3. Que os plantonistas da rede recebam orientação sobre os tratamentos disponíveis;

4. Que o município disponibilize as medicações sem empecilhos de qualquer ordem.

Se houver qualquer dúvida acerca da comprovação científica do tratamento precoce, que se consultem as seguintes fontes:

https://www.palmerfoundation.com.au/articles/research-studies-and-clinical-trials/

https://c19study.com/

Já existem 107 trabalhos científicos internacionais que atestam a eficácia do tratamento precoce.


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