ALTA CULTURA

Conversa com o filósofo

Fernando de Castro · 25 de Novembro de 2020 às 17:37

Em entrevista exclusiva e descontraída a Fernando de Castro, do BSM, o professor Olavo de Carvalho fala sobre filosofia, panorama geopolítico atual e legado de sua obra

O filósofo e escritor Olavo de Carvalho concedeu uma entrevista com exclusividade ao BSM, tendo como foco temas filosóficos e históricos. A abordagem também trouxe uma breve análise do panorama atual do governo brasileiro e das eleições presidenciais dos EUA.

Em momentos descontraídos, Olavo falou sobre a maneira como reage às críticas rasas que recebe pelas redes sociais e como as responde. O filósofo rechaçou o culto ao diploma no Brasil e o simultâneo menosprezo pelo conhecimento.

“Esse culto do diploma é a compensação natural do desprezo brasileiro pelo conhecimento. O conhecimento não tem valor nenhum, mas o diploma é tudo. É um problema de hierarquia burocrática, apenas. Não tem nada a ver com hierarquia de conhecimento”, criticou. 

O filósofo falou também aspectos sobre a sua reinterpretação aristotélica através da Teoria dos Quatro Discursos, conteúdo presente no livro “Aristóteles em Nova Perspectiva”.

“É evidente que, em qualquer cultura que você observa, você irá notar a presença dos quatro discursos, ou seja, o poético, o retórico, o dialético e finalmente o discurso lógico-analítico. Tem culturas onde não há o discurso lógico-analítico, a cultura indígena-tribal, eles não desenvolvem isso, mas os discursos anteriores eles têm. Por exemplo: o discurso poético é universal. Toda cultura tem um discurso poético”, explicou.

A respeito do fenômeno da pós-verdade, o escritor abordou aspectos históricos das mentiras espalhadas pelos comunistas e como a verdade passou a ser relativizada por parte dos marxistas.

“Karl Marx acreditava que sua filosofia era uma teoria científica, então achava que ela expressava a verdade objetiva das coisas. Mas, para implantar essa verdade, os comunistas mentiram tanto e tanto, que eles tiveram de desistir da noção de verdade. Eles acabaram negando a verdade e depois das suas mentiras terem sido desmascaradas milhões de vezes, só lhes restou negar a verdade e relativizá-la, que é o que eles fazem hoje. O mentiroso desmascarado inventa a história de que a mentira é superior a verdade.”

Olavo criticou a prática dos jornalistas da atualidade, que, segundo ele, não são profissionais da comunicação, mas sim agentes de transformação social, sem qualquer compromisso com a informação. Segundo o filósofo, toda a classe jornalística está corrompida.

O filósofo apontou a importância do fortalecimento da mídia alternativa, a exemplo deste Brasil Sem Medo. Segundo ele, jornais tradicionais são organizações criminosas.

“O crescimento da chamada mídia alternativa é uma grande esperança, porque O Globo, Folha, Estadão, isso tudo é organização criminosa. Eles são agentes de transformação social, eles não vão te dizer a verdade, vão dizer o que interessa para o objetivo político que eles querem, eles só fazem isso”, afirmou.

Questionado sobre o legado que espera deixar para os brasileiros, o filósofo disse que tem pressa em transcrever seus cursos e que pretende continuar educando as pessoas após a sua morte.

“Não é porque morri que eu parei de falar, está tudo escrito ali e eu continuo falando. E isto vai funcionar. Muitas coisas que escrevi só vão ser úteis após a minha morte”, disse.

Confira a íntegra da entrevista:
 


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