DIREITA EM DEBATE

Conservadorismo subjetivo e subjuntivo

Evandro Pontes · 26 de Julho de 2020 às 17:19

O que aconteceria se uma parte do conservadorismo começasse a pedir credenciais e “bons modos” aos seus interlocutores?

A característica central do conservadorismo é a sua objetividade e a sua ojeriza à incoerência.

Conservadores, normalmente, não ligam para cor de pele, humor do falante, condições variadas (físicas, econômicas, etc): não importa, ao conservador, quem diz, mas sim o que se diz.

O conteúdo das ideias vale mais do que o curriculum do profeta de plantão: pouco importa se ele, como soi-distant conservador, nasceu em berço de ouro ou de palha – valem as ideias, e, sobretudo, como lembra o Professor Olavo de Carvalho, a origem dessas ideias.

Mas e se o conservadorismo sofresse uma mutação genética e passasse a ser permável a subjetividades? E se o “conservador”, antes de prestar atenção ao conteúdo do que é dito (e desejável e independentemente da forma), começasse a pedir credenciais ou “bons modos” do seu interlocutor? E se esse “conservador”, esquecendo as lições proferidas na Confusão Demoníaca, passasse, por uma questão prática (ou de “governabilidade”) a tolerar certos meios para que os fins sejam bem atingidos?

Vamos supor assim que esse dito “conservador”, então, deixando de lado a “confusão demoníaca”, se permitisse algumas incoerências – qual nome eu teria que dar a um “conservador”, então, que para certos fins, tolera meios globalistas? E como deveríamos chamar esse tal “conservador” que, para conseguir “desgramiscizar” o Estado, inventasse lá de “gramiscizar-se” ele próprio, levantando (ainda que falsamente) a agenda LGBT? Convenhamos...