CRIME NO CAMPO

Com assassinato de policiais, Rondônia teme um novo Eldorado dos Carajás

Paulo Briguet · 5 de Outubro de 2020 às 16:52

Tenente José Figueiredo Sobrinho e sargento Márcio Rodrigues da Silva são mortos na área de Nova Mutum Paraná, conhecida pelos conflitos agrários

O assassinato de dois policiais militares na área de Novo Mutum Paraná, em Rondônia, pode ser o início do novo e violento conflito no campo que a esquerda brasileira vem tentando provocar nos últimos anos. No sábado (3), criminosos fortemente armados executaram a tiros o tenente José Figueiredo Sobrinho, 55 anos, e o sargento Márcio Rodrigues da Silva, 38 anos, além de ferir outras seis pessoas (sendo três policiais militares).

Segundo a PM de Rondônia, o tenente Figueiredo estava pescando com três amigos no Rio Cutia, numa fazenda próxima a BR-364, distrito de Nova Mutum Paraná, quando foi surpreendido por um bando de criminosos. Eles teriam arrombado o carro do tenente, e ao encontrarem a sua identificação do PM, foram até a beira do rio onde Figueiredo pescava com seus amigos.

Assim que identificaram o tenente Figueiredo, os bandidos passaram a agredi-lo fisicamente e o amarraram a uma árvore. Em seguida, executaram o policial com cerca de dez tiros, um dos quais na nuca. Depois do assassinato, os três amigos do policial foram despidos e obrigados a pular no rio, enquanto os criminosos atiravam. Um deles foi atingido no braço, mas todos conseguiram fugir e avisar a polícia. O carro do tenente foi incendiado.

Imediatamente, duas equipes da Polícia Militar foram enviadas ao local do crime. No entanto, os bandidos haviam colocado troncos de árvores para obstruir a rodovia que dá acesso ao Novo Mutum Paraná. Quando tentavam desobstruir a via, os policiais foram surpreendidos por tiros. O tenente Ferraz foi ferido no abdômen; o sargento Vaz recebeu um tiro no braço; e o cabo Pisa foi atingido de raspão na cabeça. O sargento Márcio Rodrigues da Silva, atingido na cabeça não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

No domingo (4), a Polícia Militar de Rondônia, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, fez uma operação para buscar os corpos dos dois militares assassinados. Durante as buscas, um helicóptero da polícia identificou um grupo com cerca de 100 pessoas, portando bandeiras vermelhas. No grupo, foi identificada ainda a presença de crianças, veículos e armas de fogo.

O crime aconteceu nas proximidades do Acampamento Tiago dos Santos, uma área de 57 mil hectares invadida por sem-terra ligados ao movimento Liga dos Camponeses Pobres (LCP), um grupo de extrema-esquerda que prega abertamente a revolução socialista. Segundo a LCP, vivem ali cerca de 600 famílias, totalizando duas mil pessoas. Os sem-terra afirmam que a área é pública e foi objeto de grilagem. A Justiça, porém, ainda não decidiu sobre o caso.

No domingo, o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha, afirmou que tudo será feito, dentro da legalidade, para prender os responsáveis pelo assassinato dos dois policiais militares. “As pessoas que cometeram esses crimes são treinadas, possuem tecnologia e armamento pesado e utilizam táticas de guerrilha. A PM e todas as forças da Secretaria de Segurança vão atuar de forma a conter esses criminosos, fazendo o uso da força necessária.”

Marcos Rocha afirmou ainda que a organização criminosa responsável pelos assassinatos está espalhando o medo entre os produtores rurais e agricultores de Rondônia. “Não estamos lidando com amadores, eles usam requintes de crueldade em suas ações.” O governador que, apesar de ocorrerem numa área de litígio, os autores do crime não estão buscando terra para trabalhar e sobreviver. “São criminosos, e não agricultores.”

O maior temor das autoridades de Rondônia é que a referida organização criminosa possa provocar uma repetição dos sangrentos episódios de Corumbiara (1995) e Eldorado dos Carajás (1996).


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