ANÁLISE

China está resgatando o globalismo da crise, mas cobrará seu preço

Cristian Derosa · 8 de Abril de 2020 às 16:13

Após alguns anos de perdas políticas, globalistas vêem no vírus chinês a chance de salvar a narrativa da Nova Ordem. Mas os chineses podem estar contando com isso e herdarem os territórios destruídos pelo globalismo em uma colaboração diabólica

O analista político americano Jeffrey Nyquist, em um de seus textos recentes, alerta para que os políticos e empresários que vêm lucrando com a China sejam responsabilizados e estigmatizados pelos seus governos e cidadãos. Eles farão os países pagarem caro pela submissão a um dos regimes mais perigosos do mundo.

O ataque biológico promovido pela China, seja ele intencional ou acidental, como querem alguns, já provocou um efeito global de coincidências que está servindo de oportunidade a centenas de governos locais onde a esquerda vinha enfrentando dificuldades. Quem preferir chamar tudo isso de teoria da conspiração terá de provar que não é um seguidor cego da teoria da coincidência, para a qual os eventos políticos são um mistério insondável de “causalidade natural”.

Afinal, coincidência é apenas a incidência múltipla de eventos. Mas há quem acredite que essa simples constatação já é prova indicativa de uma causalidade. Eventos “naturais”, espontâneos são assim chamados porque desconhecemos suas causas e não porque eles não as têm. Vamos aos fatos.

Os blocos globalistas que concorrem no controle administrativo e econômico do mundo por vezes colaboram na destruição de um obstáculo em comum. A China já disse publicamente que um conflito militar com os EUA é algo inevitável. Por sua vez, os globalistas ocidentais, representados pela ONU e pela OMS, já disseram com todas as letras que necessitam da diminuição do papel norte-americano para fortalecer o que chama de nova ordem mundial — termo bastante comum nos anos 90 em textos de globalistas, mas que foi misteriosamente abandonado assim que descoberto por internautas para ser relegado ao exotismo dos teóricos da conspiração.

Desde 2016, a esquerda mundial vem perdendo a credibilidade do seu discurso, o que ocorre paralelamente à perda de prestígio da mídia global. O Brexit, a eleição de Trump, o surgimento de governos nacionalistas e partidos conservadores. No Brasil, o Impeachment de Dilma e a eleição de Bolsonaro se apresentaram como um golpe forte demais em toda a esquerda latino-americana, que também já vinha enfrentando perdas. 

Quando Trump chamou a CNN de fake news, ele dava uma feição política a um sentimento que crescia fora dela. A imprensa mainstream nunca teve uma imagem tão negativa quanto agora, no apogeu da liberdade opinativa das redes sociais. A mídia virou apenas mais uma bolha ideológica, ao invés de arbitrar as bolhas como gostaria. Talvez 2019 tenha sido o ano mais negativo para a esquerda no mundo. Mas então veio o vírus.