JURISTOCRACIA

Celso de Mello envia a PGR pedido de apreensão do celular de Bolsonaro

Vinicius Sales · 22 de Maio de 2020 às 11:31

Supremíssimo Juíz supremamente togado do Supremo Tribunal Federal dá ordem suprema para suprimir o celular do Presidente da República. 

Em decisão monocrática, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, enviou para a Procuradoria-Geral da República (PGR), na quinta-feira (21), um pedido de busca e apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSL), devido à investigação sobre suposta interferência do presidente na Polícia Federal.

Em despacho, o ministro argumentou que é dever do judiciário investigar e promover a apuração da “autoria da materialidade dos fatos delituosos narrados por qualquer pessoa do povo”.

“A indisponibilidade da pretensão investigatória do Estado impede, pois, que os órgãos públicos competentes ignorem aquilo que se aponta na “notitia criminis”, motivo pelo qual se torna imprescindível a apuração dos fatos delatados, quaisquer que possam ser as pessoas alegadamente envolvidas, ainda que se trate de alguém investido de autoridade na hierarquia da República, independentemente do Poder (Legislativo, Executivo ou Judiciário) a que tal agente se ache vinculado”, escreveu Celso.

O inquérito é baseado nas denúncias feitas por Moro logo após deixar o governo. Segundo o ex-ministro, o presidente havia tentado interferir na Polícia Federal para evitar investigações contra família. Em depoimento à PF, Moro negou que tenha acusado o presidente de cometer algum crime.

Nesta sexta-feira (22), Celso de Mello confirmou através da assessoria do Supremo que irá divulgar a gravação da reunião ministerial do dia 22 de abril, que, segundo Moro, provaria que o presidente tentou interferir na PF ao pedir a troca do comando da corporação.