PROJETO DE LEI

Câmara de Londrina rejeita criação de Conselho LGBT

Paulo Briguet · 23 de Setembro de 2021 às 16:46

Por 12 votos a 5, vereadores decidem arquivar projeto de lei de autoria do prefeito, Marcelo Belinati (PP)



A Câmara de Vereadores de Londrina rejeitou hoje (23), por 12 votos a 5, com duas ausências, o projeto de lei que criava o Conselho de Direitos LGBT no município. O PL 76/2021, de autoria do prefeito Marcelo Belinati (PP), foi duramente criticado nas últimas semanas por movimentos cristãos e conservadores da cidade, enquanto recebeu apoio de movimentos de esquerda locais.

Na tarde de ontem, os dois lados estavam lá: à direita do prédio da Câmara, reuniram-se os críticos do Conselho LGBT; à esquerda, os defensores do projeto. À direita, bandeiras do Brasil. À esquerda, bandeiras LGBT. À direita, slogans em defesa da família. À esquerda, slogans de ódio contra os “fascistas”. À direita, discursos pela igualdade de todos perante a lei. À esquerda, elogios aos governos do PT. À direita, imagens sacras e cânticos religiosos. À esquerda, danças ao estilo de baile funk.

Ao fazer a cobertura do ato para o BSM, tentei filmar parte dos discursos dos militantes esquerdistas, mas fui hostilizado. Um militante LGBT local dirigiu-se à segurança do Legislativo: “Tirem esse fascista daqui!” O fato está registrado em vídeo. Foi uma demonstração bastante didática de como o Conselho atuaria caso fosse aprovado. Concebido para exercer “controle social” sobre a comunidade, o Conselho seria instrumentalizado pela esquerda para perseguição de adversários políticos.

O prefeito Marcelo Belinati manifestou-se durante a sessão para defender o PL 76/2021. “Estou aqui para falar não apenas como prefeito, mas como médico, advogado e cristão temente a Deus. Desde a campanha, a minha preocupação sempre foi cuidar das pessoas. E respeitar a todos, sabendo ouvir a cada um”. Belinati tentou adotar um tom conciliador, diferentemente de suas recentes entrevistas, quando chegou a declarar literalmente: “Só há duas razões para ser contra esse projeto: ou a pessoa é preconceituosa, ou a pessoa é homofóbica”.

A vereadora Lu Oliveira (PL) se exaltou durante sua fala em defesa do projeto. “Nosso Estado é laico, nós não estamos aqui para decidir com base em crenças, mas com base em direitos. Eu estou indignada com o que está acontecendo em nossa cidade!”, disse a vereadora, claramente referindo-se às manifestações contrárias à criação do Conselho LGBT.

O vereador Santão (PSC), justificou seu voto: “Agora mesmo, vimos manifestantes esquerdistas defendendo o fuzilamento de pessoas que pensam diferente deles. Isso não é um conselho de paz, é um conselho de política, poder e controle social”.

A vereadora Jessicão (PP), que é homossexual assumida, afirmou: “Esse conselho seria desastroso para as pessoas homossexuais, seria apenas uma forma de politicagem para dividir a sociedade”.

 


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