A FARRA DAS VACINAS

Butantan responde reportagem do BSM com evasivas

Fábio Gonçalves · 12 de Janeiro de 2021 às 16:41

Presidente da Fundação Butantan envia ofício ao Ministério da Saúde sobre as questões levantadas pela redação do Brasil Sem Medo com relação ao valor do contrato entre o instituto e o laboratório chinês, mas infelizmente o documento não esclarece coisa alguma.

Em resposta à matéria do BSM sobre a compra da Coronavac pelo governo federal, compra que se deu por meio de um contrato cinco vezes mais caro do que o assinado em setembro por João Dória, o presidente da Fundação Butantan, Rui Curi, expediu um ofício, endereçado ao Secretário Executivo do Ministério da Saúde, dizendo que o montante de U$90 milhões, divulgado pelo site oficial do governo de São Paulo e repercutido por toda a mídia em outubro, dizia respeito apenas à primeira parcela do acordo:

“[...] declaro que o valor mencionado na referida reportagem (U$ 90 milhões) se refere apenas à primeira parcela do contrato firmado entre a Fundação Butantan (entidade privada) e o Laboratório privado Sinovac, que inclui parte da matéria-prima da vacina e a transferência de tecnologia. O pagamento dessa parcela foi feito na sua totalidade com recursos privados”.

Curi, como que para justificar as cifras do contrato com o Ministério da Saúde, ainda listou uma série de custos extras que tem o Instituto para produzir o imunizante:

“Vale, ainda, mencionar que o Butantan incorre em outros custos além dos mencionados acima, todos devidamente apresentados em detalhes à equipe técnica do Ministério da Saúde, a saber custos de importação (frete aéreo, seguro, armazenagem no aeroporto, frete rodoviário, despesas aduaneiras), produção, controle de qualidade, frete de armazenagem do produto final, segurança, frete para armazém do Ministério, custos administrativos, desenvolvimento, estudos clínicos, dentre outros”.

Foi este todo o teor da resposta.

 Mas ainda permanecem as dúvidas

O que ainda não ficou claro à população — de São Paulo e do Brasil — é o valor total do contrato assinado por Doria, Dimas Covas, Diretor do Instituto Butantan e Weining Meng, vice-presidente mundial da Sinovac.

Cumpre perguntar: estes U$90 milhões (divulgados no site do governo, no mesmo dia da coletiva, como o valor do contrato) teriam servido para quitar a primeira de quantas parcelas?

E mais: por que João Doria, quando perguntado na mesma coletiva, preferiu não dar esclarecimentos sobre os valores, de modo a evitar essas ambiguidades?

Além disso, o valor de U$90 milhões de dólares pagos por 46 milhões de vacinas foi divulgado em vários outros sites jornalísticos. Por que, no tempo apropriado, o governo de São Paulo não corrigiu a informação?

Fake news?

Alguns leitores e assessores do governo federal questionaram o BSM sobre os valores apresentados na reportagem, alegando ser uma fake news a diferença exorbitante entre valor pago por Dória à Sinovac e o valor pelo qual foi repassado ao governo federal, conforme o contrato apresentado pelo Ministério da Saúde. Agora o governo de São Paulo alega que a dose da Coronavac custa U$ 10,3 dólares. Isso sabemos, pois foi o valor de repasse ao MS. O que continuamos sem saber foi quanto Dória pagou à China por cada uma das doses compradas. Até o momento, a informação oficial é de U$90 milhões por 60 milhões de doses (U$ 1.5 a dose). Se alguém está mentindo sobre os dados e faltando com transparência nos números certamente é o Governo de São Paulo e não o Brasil Sem Medo.

 


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