DIÁRIO DE UM CRONISTA

Bolsonaro, o povo e a elite

Paulo Briguet · 18 de Setembro de 2020 às 15:21

Por que a elite brasileira odeia tanto o presidente da República?

"Quanto mais os brasileiros amam o seu presidente, mais a elite o odeia."
(Olavo de Carvalho)

 

O saudoso professor José Monir Nasser costumava dizer: “Não somos que explicamos os mitos, eles é que nos explicam”. Um dos mitos que ajudam a explicar o progressismo contemporâneo é o do famigerado Procusto. Tal personagem vivia nas montanhas da Ática e possuía uma casa de hospedagem à beira da estrada. Quando passava algum viajante, Procusto o atraía oferecendo-lhe pouso e comida. Depois de servir um lauto jantar ao hóspede, ele o conduzia até o único aposento da casa, onde havia apenas uma cama. Se o hóspede era maior que a cama, Procusto lhe cortava os pés e a cabeça; se o hóspede era menor que a cama, o bandido esticava o corpo da pessoa até atingir o tamanho do leito (o nome Procusto, a propósito, significa “o esticador”). De qualquer modo, o hóspede morria para se ajustar ao formato da cama.

Pois é exatamente isso o que a esquerda faz nos dias de hoje (e, na verdade, sempre fez). Se a realidade não se encaixa no projeto ideológico esquerdista, tanto pior para a realidade: os fatos são torturados até que estejam adequados à agenda política. Por isso é tão difícil, para as elites brasileiras — sejam elas da mídia, da universidade ou do sistema político — entender a relação entre Jair Bolsonaro e o povo brasileiro. Trata-se de um fenômeno político que simplesmente não se deita no leito de Procusto das categorias ideológicas progressistas.

Essa recusa em se deitar no leito de Procusto da esquerda — esse facínora que nos governou e torturou a realidade brasileira durante 25 anos — causa incessantes explosões de ódio entre as castas progressistas.

Em todas as regiões do Brasil, Bolsonaro é recebido com festa e aclamação. Enquanto isso, o decano do STF, mais uma vez fazendo jus ao título que lhe deu Saulo Ramos, determina que Bolsonaro seja o primeiro presidente no exercício do cargo a fazer um depoimento presencial à Justiça. Pelo povo, Bolsonaro é chamado de mito; pela elite, é xingado de genocida. Pelo povo, é saudado nas ruas; pela elite, é caluniado nas redes. Pelo povo, é amado como herói; pela elite, é odiado como tirano. O povo joga sinuca com ele; a elite joga futebol com a cabeça dele. O povo quer reelegê-lo; a elite quer cassar sua eleição.

Alguém já disse que Procusto foi o primeiro igualitarista da história. De fato, a exemplo da esquerda atual, ele odiava desigualdades. É por isso que a elite odeia tanto Bolsonaro: ele é diferente de tudo que os Procustos de nosso tempo esperavam.

O ódio da elite a Bolsonaro é nada mais do que o ódio ao povo.

Paulo Briguet é cronista e editor-chefe do BSM.


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