GLOBALISMO E TECNOLOGIA

Big Data e Transhumanismo: o abominável mundo novo

Alexandre Costa · 26 de Outubro de 2020 às 17:38

Estamos presenciando a criação de uma nova natureza humana por meio do uso de tecnologia. E aí cabem todas as heresias, todas as manifestações da arrogância e egoísmo, todos os desvarios e delírios, toda soberba, vaidade e orgulho luciferianos

Nos últimos anos tem aumentado a percepção dos riscos acerca do acúmulo de dados em mãos das grandes corporações tecnológicas. Apesar de o assunto ter gerado alguma polêmica desde o início da Internet, como aconteceu nas discussões acerca do projeto Carnivore, ainda na década de 1990, foi apenas com o escândalo do PRISM, em 2013, que o uso de informações privadas dos usuários passou a ser visto como uma ameaça à privacidade.

Recentemente o tema ganhou mais fôlego com o lançamento do documentário “O Dilema das Redes”, produzido pela Netflix. Mesmo tendo o desejo autoritário de regulamentar a Internet, e de apresentar um claro viés ideológico, perceptível nos exemplos, na dramatização exagerada e no vocabulário aparelhado, o filme apresenta uma série de informações que devem ser aproveitadas para mapear o panorama da Big Tech, além de fornecer subsídios para deduções mais abrangentes e profundas sobre a natureza destas empresas que detêm os dados de bilhões de seres humanos.

Sempre ouvimos a expressão “Quarto Poder” para designar a mídia, supondo que além de Executivo, Legislativo e Judiciário, tínhamos também a grande imprensa como um poder à parte, velado, agindo entre a luz e a sombra.  O que acontece agora é ainda pior, infelizmente. Se os monopólios midiáticos influenciavam decisões governamentais que sempre preservavam o status quo, com suas regalias, seus compadrios e suas cumplicidades, hoje estamos em uma situação mais vulnerável, pois, além de a transferência do poder de influenciar a sociedade, também transferimos nossas informações pessoais, dados bancários, prontuários médicos e, o que é pior,  transformamos a nossa vida e hoje dependemos da tecnologia desta “nova forma de mídia” para trabalhar, para estudar, para se locomover e, em alguns casos, até para comer.

Big Data consiste, grosso modo, na soma das informações coletadas o tempo todo, de todas as pessoas que usam Internet, celular ou algum outro dispositivo eletrônico.  Essa montanha de dados, quando devidamente classificada, fornece uma visão privilegiada sobre comportamentos individuais ou coletivos, tornando mais precisas as previsões de cenários e facilitando as estratégias comerciais ― e políticas. Além disso, o alcance de observação do quadro geral, e a capacidade de controlar o fluxo destas informações permitem a manipulação da opinião ― pública e privada. Não me parece muito difícil perceber que se alguém pode represar uma informação enquanto amplia a distribuição de outra, pode conduzir opiniões e induzir tomadas de decisões sem admitir o que está fazendo. Isso é muito mais grave...