FAKECHECK

Áudio de Lula sobre Palocci nunca foi analisado por checadores

Cristian Derosa · 16 de Setembro de 2022 às 14:58

Considerado verdadeiro por laudo de perita com 20 anos de experiência, áudio em que Lula fala em “acabar” com Palocci foi tido como falso por checadores, mas nunca foi analisado

Divulgado com exclusividade pelo jornal BSM, o laudo que aponta a autenticidade da voz do ex-presidente Lula em conversa sobre o ex-ministro Antônio Palocci, contraria as várias checagens que desde 2017 afirmavam que a voz ouvida no áudio não era do ex-presidente. Houve quem alegasse ser um “imitador”. Mas como foi que os checadores chegaram a essa conclusão?

O áudio em si nunca foi verificado nem analisado. Diversas agências de checagem consideraram falso o vídeo em que o áudio aparece e as informações nele utilizadas, como a alegação de que teria sido um grampo telefônico ou de envolver supostamente o ex-presidente petista Rui Falcão, informações que apareciam no vídeo editado.

Os jornalistas também apontaram que o áudio não constava na lista da Operação Lava Jato. Também foi alegado que o áudio não tinha registros na imprensa. Com base nisso, todo o conteúdo foi considerado “falso”. Foi o caso da "checagem" do G1, de 2019, que dizia no título: "É #FAKE que Lula foi grampeado falando que queria o assassinato de Palocci na prisão"

A matéria começa resumindo a conclusão dos checadores: 

"Áudio falso é o mesmo que circulou em 2017. Voz não é do ex-presidente; Instituto Lula reforça que mensagem é falsa".

O Estadão Verifica, em junho de 2022, foi mais longe e afirmou no título que se tratava de uma imitação: "Post usa áudio com imitação de Lula para confundir sobre acusações de corrupção", estampou o jornal. Em seguida, afirma apenas que o vídeo contém um áudio atribuído a Lula para, na sequência, trazer imediatamente a conclusão do Projeto Comprova de que "é falsa a montagem de vídeos e áudios", sem se deter ao áudio especificamente.

Nenhuma das checagens sobre o áudio menciona ter sido feita uma análise fonética do áudio especificamente e não há nessas matérias opinião de nenhum especialista na área, que demonstre ter sido feita uma análise mais pormenorizada. Resgatando as verificações, percebe-se que a grande maioria delas recorre à mesma checagem do Projeto Comprova.

O Comprova, por sua vez, apenas afirma repetidas vezes ser falso o áudio, no entanto sem explicar o motivo da conclusão. Afinal, menciona uma nota do Instituto Lula que “confirma” a falsidade do áudio.

O truque usado pelo Comprova para dar ares de veracidade à conclusão foi possível porque o áudio estava sendo compartilhado como elemento de uma montagem de vídeos contra o ex-presidente. Assim, foi fácil aos checadores considerarem falsa a integralidade do material, composto de uma montagem obviamente editada, além das informações das postagens que acompanhavam o vídeo.

Isso ficou evidente em um parágrafo no qual a agência achou necessário esclarecer o que considerava como falso.

“Para o Comprova, Falso é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade”.

O esclarecimento deu a impressão de que o áudio referido possuia edições, descartando assim a veracidade de todo o conteúdo.

Portanto, o que o Comprova de fato comprovou foi que a peça inteira era uma montagem, deixando a falsidade do áudio como um elemento menos importante para o qual a única fonte foi uma nota do Instituto Lula e uma declaração da presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, no Twitter.

Na época, Gleisi Hoffmann afirmou nas redes sociais que o partido estava 'tomando as medidas legais cabíveis' em relação ao que ela classificou de “falsificação grosseira da voz de Lula”. Questionada pelo AFP Checamos se Lula teria judicializado o caso, a assessoria do ex-presidente informou em junho de 2022 que não entrou na Justiça.

Projeto Comprova e o TSE

Financiado por entidades internacionais que têm entre seus investimentos causas polêmicas como aborto, ideologia de gênero e demais pautas progressistas, o Projeto Comprova é uma das muitas agências credenciadas pelo Tribunal Superior Eleitoral para auxiliar nas verificações das eleições.

A agência funciona sob o guarda-chuvas da empresa de tecnologia First Draft, financiada diretamente pela Fundação Open Society, do polêmico bilionário George Soros, e tem o apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) que também recebe doações das fundações Open Society e Ford Foundation para formação de jornalismo e advocacy para pautas progressistas.

A agência também trabalha em parceria com o Supremo Tribunal Federal e colabora com os maiores veículos de imprensa do país. 

 


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