ANÁLISE

As origens da salvação de Lula

Leandro Ruschel · 9 de Março de 2021 às 16:43

Como a Nova Esquerda e os “liberais” ajudaram a abrir espaço para a anulação de todas as condenações do ex-presidente, agora tornado elegível
 

Para entender o atoleiro onde está o Brasil, é preciso retornar a maio de 2019. Logo após os primeiros meses de governo Bolsonaro, o Botafogo apresentava entraves ao andamento da Reforma da Previdência, enquanto o Supremo já sentava em cima dos processos da Lava Jato.

Além disso, havia uma tremenda resistência às propostas anticorrupção apresentadas pelo então Ministro da Justiça, Moro. A imprensa em geral se colocava ao lado do Botafogo, tratando-o como uma espécie de primeiro-ministro, enquanto criticava a falta de "articulação" do governo.

Em paralelo, o Supremo já operava para desmantelar a Lava Jato, jogando os casos para a Justiça Eleitoral, enquanto abria o famigerado “Inquérito do Fim do Mundo”, com o objetivo de calar críticos e proteger os ministros. O primeiro ato foi a censura da Crusoé.

Um exemplo da dinâmica da época: Botafogo congelou Pacote Anticrime. Moro reclamou. Carlos Bolsonaro saiu em defesa de Moro. Botafogo atacou Carlos Bolsonaro e ameaçou congelar a Reforma da Previdência. A extrema-imprensa se colocou ao lado de Botafogo contra os “filhos-problema”.

Nessa época, apoiadores do presidente resolveram fazer um ato de apoio às reformas, à Lava Jato e ao Pacote Anticrime ―  e contra a postura do Congresso, principalmente. O ato foi marcado para o dia 26 de maio. A turma da isentolândia, que passei a chamar de Nova Esquerda, foi contra.

Ali se iniciou o racha. O argumento da turma isentona é que o governo representava um projeto “autoritário”, que “as nossas instituições” deveriam ser protegidas, e partiu para a oposição ao governo, defendendo a postura do Botafogo. A extrema-imprensa foi na mesma toada.

Pegaram a atuação de pequenos grupos que defendiam alguma espécie de intervenção, que existiam desde 2014, para transformar qualquer apoiador de Bolsonaro em um “golpista”. Listas negras de “bolsonaristas” começaram a ser feitas pela imprensa, começando pelo Estadão.

A própria turma do Antagonista deu força para a tese, fazendo matéria com mensagens vazadas de um grupo que se uniu para processar o Estadão pela difamação. Integrantes do MBL faziam dossiês apócrifos, posteriormente utilizados pela CPI das "Fake News" para perseguição.

Com o racha no PSL, a CPI das Fake News foi instrumentalizada pelos deputados eleitos na onda Bolsonaro que buscavam mais dinheiro e poder para si. Segundo o deputado Nereu Crispim, ele e outros MENTIRAM na CPI, e depois no Supremo, para atingir o presidente.

O roubo de mensagens da Lava Jato, amplamente utilizada pela imprensa para bombardear a operação, era a peça que faltava para o Supremo acabar com a operação. Ainda mais que as mensagens mostravam como os procuradores sorrateiramente tinham também investigado ministros.

Quando da apresentação das mensagens roubadas, Moro foi defendido por Bolsonaro e por seus apoiadores, que protestaram de forma veemente contra o uso dessas mensagens para anular processos da Lava Jato.

Em abril, Moro saiu do governo de forma estrondosa, prometendo provas da interferência de Bolsonaro na PF. O que parecia uma bomba atômica virou um traque, quando as tais provas não se mostraram nem um pouco consistentes. Os isentões passaram a atacar o governo de forma ainda mais intensa.

Em maio de 2020, veio o ataque do Supremo contra apoiadores do presidente, sob aplausos da extrema-imprensa e da isentolândia. Pasmem, o próprio Moro aplaudiu a perseguição a quem havia protestado contra o Supremo por conta do ataque ao ex-ministro!

Ao longo desse processo, Bolsonaro foi perdendo apoio e se aproximando da Velha Política que havia prometido combater, em busca de sustentação, em um processo que culminou com a escolha de um esquerdista para uma vaga na Suprema Corte e apoio a Arthur Lira para presidência da Câmara.

Eu mesmo critiquei o presidente por essas decisões, preferia que ele mantivesse a postura inicial, mesmo que resultasse na sua queda. Mas, me pergunto, não fosse a postura da isentosfera de virar oposição lá em maio, estaríamos vivendo esse inferno hoje?

Perceba, os mesmos que dizem “defender as instituições” são os que apoiam a lei sendo rasgada, com juiz sendo vítima, investigador, acusador e julgador. São aqueles que batem palmas para deputado sendo preso por crime de opinião, em flagrante de vídeo na internet! São aqueles que apoiam perseguições políticas. Defendem prefeito decretando toque de recolher, contra a letra expressa da Constituição, que dá esse poder apenas ao presidente. São aqueles que chegam ao ponto de defender a Lei da Segurança Nacional, outrora “entulho da ditadura”.

São aqueles que parecem não ver problema num Congresso composto majoritariamente por corruptos. E por termos cortes superiores que sistematicamente protegem tais bandidos, enquanto, por sua vez, são protegidas por senadores, que NUNCA investigam tais cortes. Isso é democracia?

Agora, a Nova Esquerda e os nossos "liberais" se colocaram numa posição de ter que defender essa esdrúxula canetada de Fachin, que anulou todo esforço do povo brasileiro contra a maior quadrilha política da história. Acabarão votando em Lula, pela “democracia”.

 


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