VÍRUS CHINÊS

As implicações econômicas e políticas do lockdown global

Leandro Ruschel · 11 de Abril de 2020 às 17:53

A epidemia vai passar, mas as suas desastrosas consequências estarão conosco pelas próximas décadas
 

Não há nenhum paralelo na história humana com a situação vivida hoje, em termos de resposta a uma epidemia. Em maior ou menor grau, 2/3 da humanidade foram colocados em quarentena. As implicações econômicas são brutais.

Não é muito difícil de imaginar os efeitos imediatos, que são mais graves para alguns setores, mas serão sentidos por todos. Num primeiro momento, podemos citar as empresas que oferecem serviços de transporte, como a companhias aéreas, que observam redução de até 90% na receita. Em seguida, vem o setor de restaurantes e bares, onde a queda da receita é de 100% para aqueles que não oferecem serviço de delivery.

Na verdade, qualquer empresa ou pessoa que precisa prestar um serviço onde há contato entre pessoas sentiu um grande impacto, tirando supermercados e farmácias, que permanecem abertos. Desde grandes varejistas até a empregada doméstica, o efeito é direto e avassalador.

Empresas e famílias têm suas receitas impactadas, criando um efeito em cascata. Quem não recebe, não consome e não consegue pagar suas dívidas, gerando, por sua vez, menos consumo e capacidade de crédito do sistema. Com menos impostos gerados, municípios, estados e união ficam possibilitados de fazer frente às despesas.

Estimativas para a queda do PIB nos EUA para o segundo trimestre de 2020 oscilam entre uma retração de 20% a 30%. O número de desempregados em duas semanas já ultrapassa 16 milhões, levando o desemprego de 3% para 10% nesse período. A expectativa é que mais 40 milhões de pessoas possam perder o emprego se o lockdown durar mais um mês.

No Brasil, os impactos são parecidos, com um agravante: o país não tem a poupança e recursos comparáveis para bancar o lockdown. Por enquanto, dados de empresas de cartão de crédito mostram uma redução de até 80% no consumo das famílias. Estimativas iniciais sugerem que 9 milhões de pessoas já perderam o emprego.