ARTIGO

As fragilidades de Lula: o que vem depois da rampa

Eduardo Meira · 30 de Dezembro de 2022 às 15:49

Colunista Eduardo Meira analisa os cenários possíveis para um governo do ex-presidiário

 

Lula tem várias fragilidades. Uma questão repetidamente aventada, e que soa bastante razoável, é aquela sobre o poder do tucanato Alckimin/Gilmar & Alexandre de Moraes/Globo. Toda a movimentação criminosa para soltar Lula e fazê-lo candidato, além dos reiterados ataques da gigante da mídia e, principalmente, as ações autoritárias do TSE-STF, parecem muito mesmo com um esquema montado a traços finos para usar Lula e depois descartá-lo.

Mas essa ideia pode não ser infalível, claro. Ou mesmo factual.

Lula, no entanto, adianta-se e lança Alckmin a um ministério. Isso já dá um jeito de amansar o tucano.

A Janja é uma importantíssima fragilidade do Lula. Nunca antes neste país uma primeira-dama teve tanto poder e meteu tanto o bedelho. Não obstante, Lula já é bem velho. É comum mulheres mais novas dominarem um marido bem velho. Eis que uma hora ele terá que enquadrar a esposa. Ademais, provavelmente ela será logo alvo da imprensa de fogo amigo. Será então literalmente queimada, acabando por sair de cena naturalmente. No final das contas, quem recebeu votos foi o Lula.

Talvez a maior fragilidade de Lula seja o fato de que, apesar destes controversíssimos 60 milhões de votos computados pelo TSE, a maioria não é de apoiadores dele, mas de votos “anti-Bolsonaro”. Isso significa que a paciência será curta com ele.