FILOSOFIA MORAL

Animais Metafísicos II: Hiroshima, Nagazaki e o Bem Substantivo

Braulia Ribeiro · 16 de Julho de 2022 às 13:13

Como uma filósofa católica e conservadora questionou frontalmente a homenagem a Harry Truman, o presidente americano que ordenou o bombardeio atômico sobre as cidades japonesas

No ano de 1956, a Universidade de Oxford havia planejado uma homenagem ao presidente americano Harry Truman, o responsável pelas bombas nucleares jogadas em Hiroshima e Nagazaki. Não havia oposição interna à entrega da honraria – um título Honoris Causa de Doutor em Lei Civil – ao ex-presidente. O sangue derramado na guerra ainda estava fresco na mente dos doutores da academia e do público fora das paredes da universidade. Honrar Truman era quase uma obrigação. Afinal, as bombas marcaram o fim da pior guerra que o mundo experimentara até então.  

Mas... na convocação em que se faria a decisão final que daria a o título a Truman, a única mulher presente, Elizabeth Anscombe, na época ainda no degrau mais baixo da hierarquia acadêmica, levantou-se e começou a falar. A senhora católica, casada com outro filósofo e mãe de sete filhos, era conhecida por ter sido a herdeira acadêmica do legado de Wittgenstein. Dona de voz profunda e de lógica irrefutável, Elizabeth se opôs à homenagem, dizendo que Truman não cometeu um ato de virtude, mas sim um ato moralmente repreensível.

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