EMPRESÁRIO PRESO

Alex Saab: o Foro de S. Paulo em ação na Europa

Brás Oscar · 28 de Junho de 2020 às 15:10

Um colombiano de origem libanesa que vivia na Venezuela e era procurado pelos americanos foi preso na África e tem ligações com políticos italianos. Não é roteiro de filme de espionagem internacional: é a esquerda latino-americana no esquema do globalismo

A prisão

Alex Saab foi preso quando viajava em um avião privado, voando de Caracas para Teerã. Houve um pouso para reabastecimento em Cabo Verde ― e lá a Interpol o interceptou.

Desde 9 de junho há uma notificação da Interpol de categoria “azul” (localizar, identificar ou obter informações sobre uma pessoa de interesse em uma investigação criminal) emitida a pedido da Procuradoria Geral da Colômbia, que expediu um comunicado informando a extinção do direito de propriedade de seus sete imóveis naquele país por ser acusado numa investigação de lavagem de dinheiro. Por outro lado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos também o acusa de ser o principal testa-de-ferro do ditador Nicolás Maduro e está pedindo sua deportação.

O chanceler do governo venezuelano Jorge Arreaza, após uma certa demora em se pronunciar, apenas escreveu no Twitter que a detenção foi “arbitrária” e “irregular”, além de "um ato que violava as leis e normas internacionais”. Em seguida, o governo da Venezuela declarou que Alex Saab é um agente do governo venezuelano que estava trabalhando em assuntos dos CLAP, os Comitês Locais de Abastecimento e Produção, um sistema de controle estatal da produção de alimentos criado pela ditadura venezuelana para tentar lidar com a fome que assola o país.

 

O vilão

Alex Nain Saab Morán, advogado colombiano de origem libanesa, começou a ganhar dinheiro em sua cidade natal, Barranquilla, no comércio de uniformes de trabalho. Foi a partir de 2003 que se envolveu comercialmente com o governo venezuelano. Entre 2004 e 2007 ele manipulou seus dados financeiros, criando balancetes falsos e um sistema de contabilidade duplo: um para o banco, outro para as autoridades fiscais. A partir daí, seu expertise foi usado pelos políticos venezuelanos; seu nome consta no escândalo dos Panama Papers, vários jornais já o ligaram a transações suspeitas com diversas empresas, entre eles o portal de notícias colombiano Pulzo.com, que em setembro de 2018 informou que Saab havia lavado cerca de 135 milhões de dólares para o governo venezuelano.

Ele ainda estaria envolvido com vendas superfaturadas de uma empresa chinesa para os CLAP, com contratos de mais de 400 milhões de dólares. O colombiano também esteve envolvido num ato de censura às mídias por parte do governo venezuelano: em 11 de setembro de 2018 a Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela, CONATEL, proibiu o portal jornalístico Armando.com de publicar qualquer menção sobre Alex Saab. Um dos jornalistas do portal, Roberto Deniz, não acatou a ordem e publicou uma investigação que ligava Saab aos esquemas de corrupção ligados aos CLAP, e após isso, ele e seus demais colegas do Armando.com foram proibidos de deixar o país por uma ordem judicial. Ao publicarem em seu jornal que a decisão da corte em não permitir que jornalistas levantassem suspeitas sob Alex Saab era o equivalente a dizer que a reputação do colombiano estava acima do interesse em investigar a corrupção no governo, uma corte superior em Caracas condenou os jornalistas por difamação grave e danos morais a Alex...