EXCLUSIVO BSM

Agência internacional ajuda a perseguir bolsonaristas

Fábio Gonçalves · 9 de Julho de 2020 às 18:48

Ala militar do governo patrocina Atlantic Council, órgão que auxiliou Facebook na caçada à família e a apoiadores do presidente

O Facebook anunciou ontem a exclusão de páginas e perfis bolsonaristas sob a alegação de que o grupo promovia um “comportamento inadequado coordenado”.

Segundo nota de Nathaniel Gleicher, diretor de cibersegurança do Facebook, a empresa iniciou uma investigação interna para averiguar as ações desses perfis com base em “notícias da imprensa” e em “audiências no Congresso Nacional”, provável referência à CPMI das Fake News.

Essas investigações internas do Facebook foram realizadas com o auxílio do Digital Forensic Research Lab, um programa do think tank americano chamado Atlantic Council — órgão que produz análises de cenários políticos e econômicos que servem para orientar planos de governos e movimentos de grandes investidores.

O DFR Lab declara que seus objetivos são: identificar, expor e explicar a desinformação que circula na internet; promover a verdade objetiva como uma premissa de governança; proteger as instituições democráticas e as leis de quem queira miná-las nas redes.

Em outras palavras, é mais uma dessas agências verificadores internacionais que se propõem a tutelar o que é verdade ou mentira nas redes sociais. 

E eles parecem ser grandes interessados em esclarecer as mentes ensombradas dos pobres cidadãos brasileiros.

Semanas após o pleito presidencial, o DFR Lab participou do seminário RESILIÊNCIA DIGITAL NAS ELEIÇÕES 2018, no Media Lab da esquerdista UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Na ocasião, para representar o grupo, o DFR designou a jornalista militante Luiza Bandeira, ex-Folha de São Paulo e BBC.



E essa mesma Luiza é uma das colaboradores de um longo artigo que o DFR Lab publicou dando detalhes da tal rede bolsonarista expulsa do Facebook.

É neste artigo do DFR, e não na nota do Facebook, que são citados os nomes dos assessores ligados à família Bolsonaro que gerenciavam as páginas e perfis bloqueados, como Tercio Arnaud Tomaz, da página Bolsonaro Opressor, e Paulo Chuchu.

Resumo: temos então que uma agência americana, de evidente viés esquerdista, está por trás da investigação que culminou na remoção das páginas conservadoras administradas por assessores de parlamentares ligados ao presidente.

Porém, a grande novidade é que você, cidadão brasileiro, contribuinte fiel, ajuda a financiar as operações do DFR Lab — ainda que não tivesse a mais vaga ideia sobre sua existência, e que, em o conhecendo, não concorde com seus objetivos e métodos.

Como disse, o DFR Lab é um projeto do Atlantic Council, think tank que tem um convênio milionário com a Apex-Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, criada em 2003 por Lula.

De acordo com as prestações de conta da Apex, em setembro de 2019 o órgão pagou 100 mil dólares (cerca de R$ 400.000,00, na cotação da época) ao Atlantic Council para renovar a “afiliação”.
 

 

Vale destacar que no seu último relatório anual, o Atlantic Council coloca a Apex como “doadora” desses $100.000,00.

Em português claro, significa que o governo, ou, melhor dizendo, a ala militarista do governo, ajuda a patrocinar uma organização internacional esquerdista que trabalha para a censurar conteúdo de apoio ao presidente com base em boatos da mídia oposicionista e numa CPMI que fracassou cabalmente em demonstrar os tais esquemas milionários para disseminação de fake news e discurso de ódio. 

Destaquei que é a “ala militarista” quem colabora com a Atlantic Council e, por corolário, com o DFR Lab, porque a Apex, no começo do governo, foi objeto de disputa entre os conservadores, colocados na agência pelo chanceler Ernesto Araújo, e o general Santos Cruz, cioso de afastar dali os perigosos “ideólogos”.

Na pendenga, acabou que a presidência da Apex foi entregue ao Contra-Almirante Sergio Segovia que, tão logo assumiu o cargo, mandou embora a empresária bolsonarista Letícia Catelani, então diretora de negócios da agência, segundo posto mais importante da casa.

Note-se que uma das agendas de Letícia na Apex, em consonância com as pautas conservadoras, era cancelar convênios da agência que beneficiassem adversários ideológicos do novo governo.

Foi sob o comando de Segóvia que a Apex renovou o contrato gordo com o Atlantic Council. E esse contrato é assinado pelo escritório da Apex em Miami, cujo diretor é o general Mauro Cesar Cid, coincidentemente formado na turma de 1977 da Acadêmia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a mesma em que estudou o presidente Bolsonaro.   


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