PERDA

ADEUS, ENIO

Paulo Briguet · 8 de Agosto de 2020 às 15:05

Morre aos 85 anos o publicitário, escritor e jornalista Enio Mainardi

“Corto galhos secos
da planta quase morta.
E espero pelo perdão
na próxima florada.”

(Enio Mainardi)


O publicitário, escritor e jornalista Enio Mainardi morreu hoje (8), aos 85 anos, em São Paulo. Ele estava com Covid-19 e sofreu uma parada cardíaca. A notícia caiu como uma bomba nos círculos conservadores brasileiros, nos quais Enio era uma das vozes mais respeitadas.

Coerente, bem-humorado, irônico e sobretudo corajoso, Enio Mainardi era uma das referências da direita brasileira. Nascido em Pindorama (SP), em 24 de maio de 1935, Enio fez parte da geração de ouro da publicidade brasileira. Nos anos 70, criou a Proeme, uma das mais importantes agências publicitárias da época. Entre os slogans que ele criou, alguns permanecerão eternos:

Tostines vende mais porque é fresquinho? Ou é fresquinho porque vende mais?
Jurema. A natureza em água e sal.
Bonzo. Não é ração, é refeição.
Cica. Ponha um elefante na panela.
Óleo Lisa. Você só sente o cheiro da comida.
Old Eight. O bom whisky você conhece no dia seguinte.
Smirnoff. A bebida invisível.

Lembro-me das participações de Enio no programa de entrevistas de Silvia Poppovic, no final dos anos 80, sempre com comentários pertinazes e politicamente incorretos. Como disse Ana Paula Henkel, a quem tive o triste dever de informar sobre o falecimento de Enio, ele era “um mar de coerência, um norte do jornalismo, uma pessoa sem medo da verdade, como poucos”.

Em março, Enio reuniu alguns amigos em seu apartamento em São Paulo. Estavam lá Bernardo Pires Küster, Ludmila Lins Grilo, Bruno Garschagen, Filipe Trielli, Flávio Morgenstern e outros expoentes do conservadorismo brasileiro. Ninguém poderia imaginar que aquela era uma despedida. “Naquele dia, trocamos mensagens e combinamos nos conhecer pessoalmente”, disse Ana Paula. “Estou estarrecida e chocada.”

Ao receber a notícia da morte do publicitário, a juíza Ludmila Lins Grilo declarou: “Conheci o Enio pessoalmente em 2019, por meio da Teresa Mainardi, e fizemos uma festa na casa dele, quando fui muitíssimo bem recebida. O Enio se mostrou uma pessoa muito alegre e receptiva. Ele era um grande contador de histórias, que você poderia ficar ouvindo por muitas horas. Esse era o Enio que eu conheci, e fico muito transtornada com a sua morte.” 

Pai do escritor e jornalista Diogo Mainardi e do cineasta Vinícius Mainardi, marido de Teresa, Enio era um lutador incansável, um guerreiro do bom senso, do bom humor e das boas causas.

Que Deus o receba em sua infinita misericórdia.


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