ASSASSINATO INTRAUTERINO

Aborto é hediondo — principalmente em caso de estupro

Cristian Derosa · 26 de Agosto de 2020 às 11:18

Os chamados “abortos legais” se tornaram permissões para assassinatos de base sentimental, como no caso do marido traído que tinha direito a matar o amante. Além disso, a Constituição impede que se puna alguém pelo crime de outro

O aborto em caso de estupro não é “permitido” pela lei brasileira, como se costuma dizer. Ele é proibido e um crime, não podendo o estado brasileiro fornecer como serviço algo expressamente ilegal, cuja única tolerância reside na questão na punibilidade da mãe.

Como quase tudo o que se refere ao debate do aborto, no Brasil, o termo “aborto legal” é altamente enganoso e dá a ideia de legalidade. O que existe é um excludente de punibilidade. Isto é, em casos previstos, como o estupro, a mulher não é punida devido o entendimento de que ela já teve a sua cota de sofrimentos ao ser estuprada, em primeiro lugar e, em segundo, ao matar o próprio filho no ventre. O mesmo ocorre juridicamente a um pai que mata acidentalmente um filho.

O debate sobre o aborto, no Brasil, foi totalmente pautado por ativistas e implantado sem emenda na Constituição nem lei, nada que o justificasse, há cerca de 30 anos. Desde então, vem sendo facilitado por uma série de medidas administrativas, jogando com jurisprudências e abrindo porta atrás de porta em direção à meta única da legalização irrestrita.

Desde a década de 1940 que o assassinato intrauterino, eufemisticamente chamado de aborto, não pode ser punido. Mas até o início dos anos 1990, os médicos faziam apenas ilegalmente, alegando a lei do caso de estupro quando eram pegos. Há cerca de 30 anos, porém, as normas permitiram a criação de uma estrutura médica para tal, amparada pelo debate na mídia. Tudo isso mesmo com a opinião dos brasileiros gradativamente mais conservadora, cada vez mais contrária ao aborto, como mostram diversos estudos.

O crime que não é punido, porém, acabou se tornando uma permissão e visto como legal. A sensibilização da opinião pública para casos de estupro e violência contra a mulher foi sedimentando essa permissividade, incluindo-a no rol de direitos da mulher. A sociedade aceitou o termo “aborto legal”, o que abriu a passagem para a transformação em direito. Com base nisso, as manobras jurisprudenciais tornaram a situação quase irreversível: já é ofensivo tentar refazer o caminho semântico-jurídico do objeto do qual estamos lidando.

E este caminho semântico está indo perigosamente em direção à aniquilação arbitrária da vida. Foi graças à lenta implantação do aborto em caso de estupro que se pode falar em anencéfalos, em microcéfalos — que por serem compatíveis com a vida ameaçam também incluir síndrome de Down, deficiências diversas e doenças das mais variadas. Discutir o aborto em caso de estupro é salvar essas vidas mais frágeis a partir da mais rejeitada.

Acontece que a Constituição Federal não permite que alguém seja punido pelo crime de outro. Um bebê fruto de um estupro é, queiramos ou não, um cidadão que já goza de proteção jurídica desde a concepção. Nem mesmo o filho de um criminoso herda os crimes do pai. O filho de um estuprador não é um não-humano, mas um ser próprio e independente, cuja dignidade não tem relação com o amor ou a rejeição sentida pela mãe. Nenhuma mulher tem o direito à aniquilação de outro ser humano, tampouco um médico o terá.

No caso da menina K. ficou evidente a exploração do sentimento de rejeição e da revolta contra o crime do abuso da menor como trampolim para normalizar e banalizar um crime muito maior. A opinião pública se tornou incapaz de admitir verdades elementares como o fato de que o assassinato intrauterino praticado pelo médico, o doutor Olímpio, é muito pior do que o abuso contra a menor. Ao dizer isso, porém, a mentalidade comum pensa imediatamente em uma “tolerância” com o crime de abuso. Mas se esquece da gravidade do crime praticado pelo médico, que envenenou um bebê viável matando-o sem qualquer necessidade.

A mídia apressou-se em mostrar estarrecimento com a revolta popular e corre para criminalizar a opinião contrária ao aborto. Porque sabe que se o aborto em caso de estupro for questionado, se a opinião contrária for tida como válida, permitida, todo o progresso da indústria da morte até o momento estará ameaçado. Anencéfalos, microcéfalos e crianças portadoras de síndrome de Down, assim como outras doenças genéticas, estarão finalmente seguras da sede de sangue e de morte dos globalistas e feministas eugênicos.

Precisamos urgentemente falar dos filhos do estupro e sua dignidade.

— Cristian Derosa é mestre em jornalismo pela UFSC e autor dos livros “A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda” e “Fake News: quando os jornais fingem fazer jornalismo”.


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