IRMÃS ASSIS

A vacina e o “observatório” russo na Argentina

Maria Eugênia de Assis e Maria Laura de Assis · 8 de Fevereiro de 2021 às 16:49

Qual é o interesse por trás da opção do governo de Alberto Fernández pela vacina Sputnik V, produzida na Rússia?

No começo da campanha de vacinação, a Argentina anunciava ser o primeiro país latino-americano em aplicar a vacina russa. Enquanto o resto do continente optou por outras vacinas, os hermanos não abriram mão da Sputnik V. A questão é o motivo de tal escolha — e se existe algum interesse por trás disso.

Enquanto o governo kirchnerista negociava a compra da Sputnik V, paralelamente o governo russo apressou no parlamento a aprovação de um acordo entre os dois de cooperação em ciência espacial entre os dois países — convênio que foi assinado durante o governo de Mauricio Macri e que faltava passar pelo Poder Legislativo. É de se notar que esse acordo foi validado em dezembro de 2020, um dia antes do avião da Aerolíneas Argentinas viajar em busca das 300 mil doses da vacina russa. É difícil não relacionar as duas questões.

Com a compra das vacinas russas, o governo de Putin recebeu em troca a possibilidade de instalar estações de coleta de dados do sistema de posicionamento global GLonass, nada mais nada menos a tecnologia que a Rússia utiliza para saber a localização exata de cada celular, carro ou barco que usam o mesmo esquema de GPS. O novo sócio da Argentina alega que suas finalidades são exploração espacial, comunicações por satélite e prestação de serviços relacionados.

Alberto Fernández publicou o convênio no Boletim Oficial, em 4 de janeiro de 2021, no qual foi indicado em um subtítulo que o acordo não requer aprovação parlamentar para entrar em vigor. De fato, o convênio passou sem maiores discussões. Este assunto suscita preocupação, dada a possibilidade de se instalar uma base estrangeira apenas por meio de uma simples publicação no Boletim Oficial da República....