DESARMANDO O GOLPE

A segunda posse de Jair Bolsonaro

Fábio Gonçalves · 23 de Maio de 2020 às 15:01

Da Coletiva de Moro à Reunião Ministerial: como no período de um mês o político Bolsonaro foi do Inferno ao Céu.

Há exatamente um mês, no dia 23 de abril, o Estadão noticiava como certa a saída de Sérgio Moro do governo federal.

Já vinham de longa data essas especulações. Durante todo o primeiro ano da administração Bolsonaro, a mídia de todas as maneiras tentou fazer colidir dois dos homens mais queridos pela população. Calculava-se que o rompimento com o grande herói da Lava-Jato seria o prenúncio da queda do Capitão-presidente. 

Entretanto, no mesmo dia 23, interlocutores do ministérios e fontes de Brasília cravavam que era só boataria, chamou-se inclusive de fake news. 

Mas havia mesmo algo de podre no reino tupiniquim.

Na manhã do dia 24, uma sexta-feira, para surpresa geral o então ministro da Justiça e Segurança Pública convocou uma coletiva de imprensa – coletiva que chegou ao conhecimento do público por Bela Megale d’O Globo. 

Auditório Tancredo Neves abarrotado. Jornalistas e servidores ombreando-se por um melhor lugar. Muitas fotos, como em dias históricos. Programação da TV interrompida para transmitir em tempo real as palavras do ex-juiz.

Moro anunciou seu pedido de demissão, estava mesmo fora do governo. E o simples anúncio já seria suficientemente chocante, uma bomba. Todavia, em ato inesperado, o ministro, sempre avessos às rezingas políticas, saiu atirando, e atirando para matar, para enterrar de uma vez para sempre o mito de que Bolsonaro representava a nova política, que estava ali para fazer diferente dos predecessores corruptos. O presidente estaria subvertendo