ASSASSINATO

Ex-secretário dos Kirchner é morto na Argentina

Lucas Ribeiro · 7 de Julho de 2020 às 20:04

Fabián Gutierrez, ex-secretário particular de Cristina Kirchner, havia denunciado casos de corrupção no kirchnerismo

Morreu assassinado no último fim de semana Fabián Gutiérrez, que possuía vínculos íntimos com a família Kirchner na Argentina. O crime ocorreu na pacata e turística cidade de Calafate, de 30 mil habitantes, na província de Santa Cruz, Argentina.

Fabián Gutierrez começou em 1995 a trabalhar com Nestor Kirchner, quando ele era governador de Santa Cruz. Depois ocuparia um cargo como secretário da Presidência entre 2003 e 2005; posteriormente, como secretário adjunto da Presidência entre 2007 e 2010.

Ele também havia sido delator no polêmico caso dos “Cuadernos de coimas” (“Cadernos de propinas”, uma espécie de “planilhas da Odebrecht na versão argentina). No Infobae, ele observava que José Lopez (ex-secretário de Obras Públicas do governo kirchnerista, que terminaria milionário) e Jaime (ex-secretário de transportes do mesmo governo) tinham frequentes encontros suspeitos com Kirchner, carregando bolsas de dinheiro com supostas propinas

Quatro jovens foram detidos sob acusação de matar Gutierrez: Facundo Zaeta (19 anos), Cristóbal Augusto Riestra (19), Claudio Mayer Alvarado (21) e Juan Pablo Climis. O juiz Carlos Navarte afirmou tratar-se de um crime “passional e extorsivo”, e que existia uma amizade mais profunda entre os detidos e Gutiérrez.

A oposição pede que o crime seja tratado na esfera federal, porque a promotora do caso é Natália Mercado, filha da atual governadora Alicia Kirchner. Alícia é irmã do ex-presidente Nestor Kirchner e Natália entrou nesse cargo de promotora pelo apoio político de sua família. Dessa forma, as investigações ficariam prejudicadas por ausência de imparcialidade. O presidente Alberto Fernandez considera as insinuações da oposição de crime político como uma “canalhice” e um aproveitamento político sórdido.

Por enquanto ainda é cedo para definir os culpados pelo crime, contudo há algumas hipóteses. A primeira é de que foi um crime comum que coincidentemente matou um delator de casos de corrupção da família Kirchner. Uma segunda hipótese foi levantada pelo jornalista Jorge Lanata no programa “Periodismo para Todos”: segundo ele, Gutiérrez morreu porque queriam buscar o “tesouro K”, ou seja, os assassinos estavam buscando dinheiro de corrupção do clã, de que o morto também havia se beneficiado. Lanata conclui: “O Tesouro K nunca teria existido se não tivessem roubado. Se a vice-presidente e outras pessoas não tivessem roubado como roubaram, não teria acontecido que pouco tempo mataram o motorista de Kirchner e que tivessem tantos casos de afano procurando esse dinheiro oculto”. Uma terceira hipótese seria queima de arquivo.

Ainda não existem investigações conclusivas para definir as razões do homicídio. O jornalista do Panam Posta Marcelo Duclos explica que desde os apoiadores do governo dizem que são apenas insinuações para atacar Cristina Kirchner; contudo. uma série de pessoas nas redes sociais relacionam essa morte com o o trauma do caso Nisman, o promotor que denunciou vínculos da presidente Cristina Kirchner com o Hezbollah e acabou morrendo em circunstâncias até hoje não esclarecidas.

Há certa similaridade entre esses casos de corrupção e o caso Celso Daniel, no início dos anos 2000.




Fabián Gutierrez, à esquerda de Alberto Fernandez (ao celular), em foto dos anos 2000


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