ANÁLISE

A mídia decadente e o fim da liberdade

Alexandre Costa · 24 de Outubro de 2021 às 10:38

Grandes empresas de comunicação abandonaram a função informativa, esqueceram o compromisso com a verdade e justificam todo tipo de arbitrariedade do sistema  

 

 



 

“Eu desaprovo o que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo.”
(Evelyn Beatrice Hall)

 

Provavelmente o leitor conhece a frase que abre esse texto, muitas vezes atribuída a Voltaire, mas que realmente foi escrita por Evelyn Beatrice Hall, na sua biografia do iluminista francês[1].  Pela força da sua síntese, a sentença tem servido como um estandarte em defesa da liberdade de expressão e do convívio democrático entre pessoas que pensam de maneira diferente. Exatamente por condensar os conceitos de liberdade e tolerância, a frase tem se tornado clichê em qualquer defesa do direito de se expressar – pecado que este que vos escreve acaba de cometer.

Acontece que, embora a frase apareça com muita frequência na grande mídia e esteja sempre na boca dos seus jornalistas orgânicos, a voz oficial do establishment não pratica o que, segundo a autora, representa a essência do pensamento liberal do seu biografado.

O corporativismo, que existe em várias categorias profissionais, na imprensa tem alguns aspectos bem peculiares. O primeiro deles, sem dúvida, diz respeito ao caráter exclusivista, representado por um corporativismo diferente, que não defende a categoria, mas apenas aqueles funcionários que trabalham em determinadas empresas. Em outras palavras, o corporativismo da grande imprensa é limitado a algumas corporações. Se o sujeito não trabalha em um dos poucos grupos que formam o cartel, não é considerado jornalista. Esta primeira particularidade do corporativismo midiático e sua essência elitista funcionam como um reflexo da idolatria do diploma, de um pensamento positivista, aristocrático e, pensando bem, reflete também uma mentalidade totalitária que pretende instituir uma civilização baseada em uma “ditadura dos especialistas” – que eu chamei de Tecnocracia Feudal em um artigo anterior.