PANDEMINIONS

A função política do medo nas mãos do jornalismo pandêmico

Cristian Derosa · 2 de Outubro de 2020 às 15:34

Vivemos um apagão informativo, um oceano de incertezas no qual fomos irremediavelmente atirados sem bóia nem barco salva-vidas. Para entender o jornalismo, é preciso antes de tudo libertar-se dele

“Não tenha medo de ter medo”, dizia um outdoor em Portugal, durante o período de maior sensacionalismo midiático sobre a pandemia. O país que descobriu metade do globo terrestre agora já não poderia arriscar-se num barco de pesca. Prefere agarrar-se à bóia da grande mídia com sua poderosa estrutura. Quanto mais poderosa, mais confiável.

Afinal, depois de aceitar toda sorte de restrições sociais e mudanças comportamentais, dificilmente um cidadão terá a ousadia de dizer-se enganado. Com o medo transformado em virtude, até mesmo a coragem de duvidar parece demasiado arriscada.

Ninguém tem medo, porém, de abrir uma página de jornal e entregar toda a sua boa-fé àquelas informações que foram selecionadas unicamente para confirmar narrativas. Ninguém teme ser enganado. É melhor ser enganado com todos do que estar livre sozinho...