BAIXA CULTURA

A DITADURA DOS PALHAÇOS SEM GRAÇA

Brás Oscar · 12 de Janeiro de 2020 às 12:45
Em que momento os artistas passaram a se levar tão a sério? Em que momento nós passamos a levá-los tão a sério?

Os artistas populares foram alçados a um posto inimaginável: influenciadores da moral, do comportamento e da política. São como filósofos na ágora digital expondo sua erudição sobre como o oxigênio vai se acabar, como o peido da vaca aquece o planeta, como a bosta da vaca destrói os rios. Não apenas nós passamos a admirá-los como modelos de homens para nós e nossos filhos, como eles passaram a realmente acreditar que são uma peça fundamental para toda a intelectualidade e política do mundo.

Chegamos ao ponto em que o poema cafona de uma Zélia Duncan caquética, recitado no Twitter, tenta me convencer de que se eu não venerar cantores e pintores tal qual os santos que sustentam as almas que sofrem, como poderia eu criar meu filho como um homem bom? Zélia Duncan ordena que você se desfaça do quadro que decora tua parede se você despertar da hegemonia cultural e passar a apoiar políticos que não enchem o bolso dos artistas com dinheiro público. Dinheiro, aplausos e afagos no ego: querem isso como um deus pagão demanda por oferendas.